Governo muda regime de metas da inflação

Ministro Fernando Haddad audiência Câmara Misto Brasília
Ministro Fernando Haddad durante audiência na Câmara/Arquivo/Lula Marques/Agência Brasil
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De 2025 em diante, a apuração do cumprimento da meta anual será feita de forma contínua

Por Misto Brasília – DF

A partir de 2025, o regime de metas de inflação mudará e terá um horizonte mais alongado, anunciaram os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet.

A adoção do sistema de meta contínua foi comunicada nesta quinta-feira (29), durante reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que é formado pelos dois ministros e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

De 2025 em diante, a apuração do cumprimento da meta anual será feita de forma contínua, tendo em vista o período anterior – possivelmente de 24 meses – e não mais no ano-calendário de janeiro a dezembro, com é feito hoje.

O objetivo é dar mais flexibilidade ao BC na sua estratégia de controle da inflação, que tem como principal instrumento os ajustes na taxa básica de juros, a Selic. O modelo de meta contínua é usado pela grande maioria dos bancos centrais do mundo, e também tinha o apoio de Campos Neto.

Atualmente, quando a meta de inflação não é cumprida, o presidente do BC deve enviar uma carta ao ministro da Fazenda explicando os motivos e possíveis soluções. Esse sistema também acaba pressionando o governo e a autoridade monetária a adotarem medidas para tentar cumprir a meta ao final do ano.

A comunicação deverá ser feita de forma mais frequente, segundo regras que serão definidas em um futuro decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para este ano, a meta foi mantida em 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual. O órgão também manteve as metas de inflação de 2024 e 2025 em 3% ao ano, com a mesma margem de tolerância. O CMN anunciou ainda a meta de inflação para 2026, que será de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto.

A alteração da forma de apuração do cumprimento da meta reduz, ao menos por ora, as especulações de que o governo elavaria a meta de inflação anual, com o objetivo de abrir espaço para a queda da Selic.

O regime de metas de inflação existe desde 1999, com o CMN aprovando, a cada ano, metas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os exercícios seguintes, registrou a Agência DW.

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