Presidente terá como ponto alto uma cúpula entre 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos
O presidente do Brasil Lula da Silva reuniu-se nesta segunda-feira (17), em Bruxelas, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no primeiro compromisso de sua agenda de dois dias na Europa.
Ele terá como ponto alto uma cúpula entre 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e os 27 da União Europeia (UE).
No encontro, Lula disse que seu governo está comprometido em combater as mudanças climáticas e o desmatamento ilegal, ressaltou a capacidade brasileira na produção de energia renovável e disse ser uma “prioridade” de sua gestão investir em fontes alternativas.
“O Brasil vai cumprir com sua parte. É compromisso assumido, compromisso de fé. Queremos discutir com o mundo a preservação da floresta”, disse Lula.
O combate ao desmatamento é um ponto que vem atrapalhando a conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE. O processo de ratificação foi paralisado durante o governo Jair Bolsonaro, devido à preocupação dos europeus com o aumento do desmatamento da Amazônia e a pressão de setores da sua agropecuária receosos com a competição dos produtos do Mercosul.
Em março, a UE enviou ao Mercosul uma carta adicional pedindo a inclusão no texto de mais compromissos ambientais e sanções em caso de descumprimento. Além disso, em maio o bloco europeu aprovou uma nova lei antidesmatamento que proíbe a importação de produtos oriundos de áreas de florestas tropicais desmatadas após dezembro de 2020.
Von der Leyen, por sua vez, expressou a intenção de que os dois blocos estreitem relações entre populações, empresas, e diversifiquem suas cadeias de abastecimento com o intuito de “modernizar as economias de maneiras que reduzam desigualdades”. Ela ainda ressaltou o regresso do Brasil ao “grande palco” das decisões geopolíticas mundiais e a importância de Brasília para resolver os problemas que o mundo enfrenta.
A agenda que interessa ao país
O enfrentamento das mudanças climáticas e a transição ecológica da economia são duas agendas que têm o potencial de unir brasileiros e europeus para além das divergências em outros temas, como a guerra na Ucrânia – desde que haja igualdade nas relações.
É o que defende Maiara Folly, diretora-executiva da Plataforma Cipó, instituto que realiza pesquisas na área de clima, governança e relações internacionais a partir de perspectivas do Sul Global.
Especialista em relações internacionais e políticas públicas pela Universidade de Oxford, ela é uma das autoras de estudo apresentado nesta segunda-feira (17) em Bruxelas, na Bélgica, a políticos brasileiros e europeus, em evento paralelo à Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE). O documento contém sugestões para fortalecer as relações entre o Brasil e o bloco europeu, que depois da China é o principal parceiro comercial do país.




















