À pedido de países latinos, UE e Celac também incluíram na declaração no qual a Europa o comércio transatlântico de escravos
Por Misto Brasília – DF
Após quase uma semana de negociações intensas nos bastidores, a primeira cúpula UE-Celac em oito anos chegou ao fim nesta terça-feira (18) em Bruxelas, na Bélgica, com uma declaração condenando a guerra na Ucrânia. O texto, porém, não cita a Rússia e não foi aprovado por unanimidade.
Na contramão dos outros 59 países presentes no encontro, a Nicarágua – governada por Daniel Ortega e cujo regime autoritário mantém estreitas relações com a Rússia de Vladimir Putin – se opôs mesmo à mais branda formulação do texto.
Nem mesmo Cuba e Venezuela, que tradicionalmente antagonizam com a diplomacia ocidental, adotaram posição semelhante, registra a Agência DW.
“Com exceção da Nicarágua, todos os países, de Lituânia à Cuba, acordaram um texto comum onde manifestaram preocupação sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia”, afirmou o primeiro-ministro português, António Costa.
We are building bridges across our two continents.
The #EUCELAC Summit marks a new chapter of our friendship, shaping an investment agenda that benefits both sides of the Atlantic.
Together, we'll unlock the full potential of our partnership, not just in trade, but in thriving… pic.twitter.com/6RYt9mJ1Dx
— European Commission (@EU_Commission) July 18, 2023
Pelo rito diplomático, a declaração precisa ser aprovada por unanimidade. Por causa disso, a saída, segundo fontes europeias consultadas pela agência de notícias Lusa, foi emitir a declaração em nome dos presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Celac, Ralph Gonsalves.
O Ministro das Relações Exteriores do Chile, Alberto van Klaveren, lamentou a postura nicaraguense e referiu-se à guerra como um ato de agressão contra a Ucrânia.
“Sentimos muito pela situação. De fato, estamos muito surpresos que haja membros do nosso grupo que se oponham a qualquer resolução pertinente a essa guerra”, afirmou.
Venezuela e Cuba, apesar de endossarem a declaração dos líderes da UE e da Celac, também teriam se oposto a uma condenação explícita dos russos pela “realidade” – nas palavras do primeiro-ministro de Luxemburgo, Xavier Bettel – que é a invasão da Ucrânia.
À pedido de países latinos, UE e Celac também incluíram na declaração final um parágrafo no qual a Europa reconhece e lamenta “profundamente” o “incalculável sofrimento infligido a milhões de homens, mulheres e crianças como resultado do comércio transatlântico de escravos“. Segundo o texto, a escravidão foi um “crime contra a humanidade”.
Quanto às mudanças climáticas, enquanto, de um lado, a UE acenou com um pacote de 45 bilhões de euros em investimentos para impulsionar a transição ecológica e digital; de outro, líderes latino-americanos e caribenhos expuseram suas críticas.
“A maior parte da Europa foi e ainda é predominantemente beneficiária de uma relação em que a nossa América Latina e o nosso Caribe foram subjugados de forma desigual”, declarou Gonsalves.
