A situação do sistema público foi discutido durante um debate que reuniu especialistas e governo
Por Misto Brasília – DF
O professor Paulo César Marques, da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília (UnB),comentou que “o primeiro desafio é definir quanto custa operar um sistema de transporte coletivo“. A observação foi feita durante um debate nesta semana no lançamento da Revista Urbanidade.
De acordo com o professor, essa informação “é guardada a sete chaves pelos operadores do serviço”. Ele apontou que a falta de qualidade provoca um número menor de usuários, o que aumenta o preço cobrado daqueles que não têm alternativa.
A possibilidade da implantação do modelo de passe livre no Distrito foi apresentada pelo antropólogo Paíque Duque Santarém. Ele afirmou que os impactos percebidos nos locais onde já existe tarifa zero reforçam a importância da iniciativa.
“O aumento da demanda observada nesses municípios demonstra que a cidade estava travada. As pessoas não estavam andando, porque não tinham condições, e não porque não quisessem”.
O economista Wesley Ferro Nogueira acredita que é preciso haver uma mudança de paradigma na formulação dessa política pública. “Precisamos qualificar o debate com informações sobre o sistema de transporte público para chegar a um serviço mais adequado para a população do Distrito Federal”.
O promotor de justiça Alexandre Sales de Paula lembrou que durante mais de 50 anos, o serviço foi concedido de maneira informal à iniciativa privada. “É pela licitação que se organiza toda a prestação desse serviço tão essencial, com estudos e participação da sociedade”, observou.
O evento foi encerrado pelo secretário de transporte e mobilidade, Flávio Murilo de Oliveira, que apresentou um panorama do setor no Distrito Federal. Ele trouxe dados sobre o perfil das viagens, os tipos de serviços oferecidos e a infraestrutura para os diferentes modais.
“Estamos trabalhando para atender os anseios da população, de forma a incentivar o uso do transporte público coletivo”, afirmou.


