O abastecimento só foi totalmente normalizado mais de seis horas depois, perto das 15 horas, segundo o governo
Por Misto Brasília – DF
O apagão que comprometeu o abastecimento de energia em 25 estados e no Distrito Federal na manhã desta terça-feira (15) deixou um terço dos consumidores brasileiros sem luz e provocou caos no transporte público e no trânsito em diversas cidades, além de também ter afetado o funcionamento de órgãos públicos.
Mais tarde, falando a jornalistas, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que entre 27 milhões e 29 milhões de domicílios foram afetados em alguma medida pelo evento.
A falta de luz começou às 8h31 (horário de Brasília) e o abastecimento só foi totalmente normalizado mais de seis horas depois, perto das 15h, segundo informações do próprio ministério. Até o fim da tarde, a imprensa brasileira ainda noticiava, contudo, falta de energia no Amapá e em Santa Catarina.
Segundo Silveira, o episódio estaria associado a uma “sobrecarga” em linhas de transmissão no Ceará, no Nordeste do país. O ministro, porém, argumentou que o evento, sozinho, não justificaria a magnitude do apagão, e disse que pedirá à Polícia Federal e à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que investiguem eventual ação humana.
Por determinação do ministro, o episódio está sob apuração de um grupo integrado por representantes do ministério, do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Silveira, contudo, descartou que a interrupção no fornecimento de energia pudesse estar relacionada à segurança energética do país, ressaltando que “vivemos um momento de abundância dos nossos reservatórios”.
Mais cedo, em nota, o ONS havia comunicado a interrupção de 16 mil MW de carga em razão de uma “ocorrência” às 8h31 na rede que afetou a interligação Norte-Sudeste e derrubou o fornecimento de eletricidade em estados nas cinco regiões do país – à exceção de Roraima, que não está interligado ao sistema nacional.
O órgão alega que a interrupção do abastecimento de energia no Sul e no Sudeste foi uma “ação controlada” para evitar que o problema se espalhasse.
Líderes da oposição reagiram ao apagão criticando o governo Lula. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) associou a falta de luz à chegada de um “governo do apagão” ao Palácio do Planalto, além de citar o aumento do preço da gasolina, anunciado nesta terça pela Petrobras.
Nogueira preside o PP, mesmo partido do presidente da Câmara, Arthur Lira, que atualmente negocia a adesão à base governista. “O Brasil voltou! Voltou ao Apagão!”, escreveu o senador no X, antigo Twitter, registrou a Agência DW.
Os governistas sugeriram que o apagão poderia estar relacionado à privatização da Eletrobras, levada a cabo pelo governo Bolsonaro em 2022. Declarações nesse sentido foram feitas nas redes sociais pela primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, pelo senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), e pelo deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) – este último associou o apagão a demissões na esteira da privatização.
Embora tenha afirmado que a privatização da Eletrobras “fez mal” por se tratar de um “setor estratégico para a segurança do país”, Silveira rejeitou qualquer associação entre o apagão e a venda da estatal.
Conforme a emissora de TV CNN, porém, a linha de transmissão de energia no Ceará associada ao blecaute é operada pela Eletrobras.






















