A decisão de 12,75% era esperada por analistas e pelo mercado financeiro. A redução deve estimular um pouco mais o consumo
Por Welton Máximo – DF
O comportamento dos preços fez o Banco Central (BC) cortar os juros pela segunda vez no semestre. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,5 ponto percentual, para 12,75% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.![]()
Atualizado às 20h01
De março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo de aperto monetário que começou em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis. Por um ano, de agosto do ano passado a agosto deste ano, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano por sete vezes seguidas.
Antes do início do ciclo de alta, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica iniciada em 1986. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia de covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.
Repercussão sobre a queda na taxa Selic
Nota de da economista-chefe do TC Marianna Costa
O Banco Central do Brasil deu continuidade ao ciclo de afrouxamento monetário iniciado em agosto com um corte adicional de de 0,50 ponto percentual, trazendo a taxa Selic para 12,75%, em decisão unanime. O colegiado do Copom entende que “em se confirmando o cenário esperado” o colegiado sinaliza redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse “é o ritmo apropriado”. O colegiado também ressalta que em relação a magnitude do ciclo total de afrouxamento monetário dependerá de um conjunto de variáveis, sendo elas a dinâmica da inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos, estes dois últimos em menor grau dos que os dois primeiros.
Neste sentido, a comunicação do Copom ratifica a percepção dos agentes de mercado de que o ciclo de queda dos juros deve seguir pelos próximos meses, na magnitude adotada hoje e deve perdurar até meados do próximo ano. Dentro do nosso entendimento, a continuidade da queda da inflação corrente com efeitos benignos sobre a trajetória futura dos preços tende a fomentar a discussão sobre a possibilidade de aumento no ritmo dos cortes da taxa Selic. Entendemos que há espaço para chegar perto de 9,5% no segundo trimestre de 2024, e que o ajuste residual será o grande foco dos debates daqui em diante.
Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) considera como positiva a redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), passando de 13,25% para 12,75%, realizada nesta quarta-feira (20/9), pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A continuidade na redução da taxa básica de juros é imprescindível, pois a incorporação imobiliária e o acesso a moradia são notoriamente afetados pela Selic.
A ABRAINC salienta que também é necessário minimizar impacto adverso dos juros elevados no custo de capital das empresas, em especial aquelas que dependem de financiamentos para a concretização de seus projetos. Os juros altos resultam em custos mais elevados para a população, traduzindo-se em um obstáculo significativo para a geração de empregos e o crescimento econômico do país.
Por fim, o presidente da ABRAINC, Luiz França, reitera a necessidade de medidas contínuas que promovam a redução das taxas de juros e estimulem o acesso ao crédito aos compradores de imóvel. “Uma estratégia que não beneficiará apenas o setor imobiliário, mas também contribuirá para o progresso econômico e social do Brasil. Esta redução se mostra essencial para tornar os financiamentos habitacionais de médio e alto padrão mais acessíveis”, explica o executivo.
























