A declaração de Trump gerou apreensão entre membros da aliança. A Otan tem o compromisso de defender qualquer país-membro
Por Misto Brasil – DF
O ex-presidente americano e pré-candidato à reeleição Donald Trump disse que “encorajaria” a Rússia a “fazer o que diabos eles quiserem” com qualquer um dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que não tenha cumprido as metas de gastos militares estipuladas pela aliança.
Durante um evento de pré-campanha neste sábado (10) em Conway, na Carolina do Sul, Trump aludiu a um suposto encontro não especificado da Otan, durante o período em que ele ocupou a Presidência dos Estados Unidos, onde ele teria ouvido de um chefe de Estado de um “grande país” a confissão de que não estaria cumprindo com a meta da aliança de destinar 2% do PIB a gastos militares.
“‘E se nós não pagarmos e formos atacados pela Rússia, o senhor nos protegerá?'”, parafraseou Trump, referindo-se à pergunta que diz ter ouvido daquele chefe de Estado. “Eu respondi: ‘Você não pagou? Você está devendo?'”
“‘Não, eu não te protegeria. Na verdade, eu os encorajaria [a Rússia] a fazerem o que diabos quiserem‘”, afirmou o ex-ocupante da Casa Branca entre 2017 e 2021.
A declaração de Trump gerou apreensão entre membros da aliança, já que o que caracteriza a Otan é justamente o compromisso de defender qualquer país-membro da aliança que seja atacado, e principalmente países europeus temem as consequências de uma eventual derrota da Ucrânia perante a Rússia.
A tendência de cortes em gastos militares, inaugurada com o fim da Guerra Fria, foi interrompida em 2014 após a Rússia anexar parte do território da Ucrânia. Naquele ano, países-membros da Otan concordaram em voltar a elevar essas somas até atingir a meta de 2% do PIB até 2024.
Em 2014, três países cumpriam esse patamar de gastos militares. Em 2022, ano da invasão russa da Ucrânia, o número passou a 7 dos atuais 31 membros da aliança, segundo a Otan, informou a Agência DW.























