Conflitos internacionais dominaram as reuniões do G20

Mauro Vieira e David Cameron da Inglaterra Misto Brasil
Mauro Vieira e o secretário de Relações Exteriores da Inglaterra David Cameron/Divulgação
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Principalmente na Ucrânia e na Faixa de Gaza. O Brasil teria ainda a chance de influenciar a transição energética

Por Misto Brasil – DF

Numa rodada de reuniões fechadas e com poucas declarações públicas, ministros de Relações Exteriores do G20 concordaram em se encontrar pela segunda vez ainda sob a presidência do Brasil. O evento vai ocorrer em setembro, às margens da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

“Será aberto a todos os membros da ONU, para que haja um amplo debate sobre os temas que foram o centro desta reunião de ontem e de hoje”, disse o chanceler Mauro Vieira à imprensa ao fim do encontro no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (22).

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Os assuntos que dominaram a agenda foram os conflitos internacionais, principalmente na Ucrânia e na Faixa de Gaza, e a reforma da governança global, segundo as prioridades estabelecidas pelo anfitrião.

“Os países reiteraram a condenação da guerra na Ucrânia, como aconteceu em 2022. Grande número de países expressou preocupação com o conflito na Palestina, com risco de alastramento para outros países da região”, declarou Vieira.

Segundo o ministro brasileiro, os membros do G20 são unânimes na defesa da solução de dois Estados para o conflito. Alguns pediram ainda a liberação imediata do acesso para ajuda humanitária na Faixa de Gaza, que Israel se abstenha de fazer uma operação em Rafah, assim como a liberação dos reféns mantidos pelo Hamas.

Mais cedo, Josep Borrell, alto representante da União Europeia para Política Externa, havia dito a jornalistas que os ministros concordaram sobre a necessidade de se encontrar uma solução de dois Estados para pacificar a questão no Oriente Médio.

Borrel disse esperar uma proposta de paz vinda do mundo árabe nos próximos dias.

Apesar dos graves conflitos como pano de fundo, o Brasil estaria numa posição favorável para colocar em evidência global discussões que são importantes para o futuro do país, opina Clarissa Lins, conselheira do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

“À frente do G20 e na presidência dos Brics, o Brasil tem a vantagem de colocar suas prioridades, como a redução da desigualdade social e combate à fome; a solução de conflitos com desenvolvimento sustentável e a reforma da governança global”, cita Lins.

Como futura sede da Conferência do Clima em 2025, o Brasil teria ainda a chance de influenciar a transição energética em todo o mundo. Na visão de Lins, que é economista, esse caminho será bem-sucedido com a integração dos países  e não com o isolamento de alguns em grupos fechados, como defendem alguns do chamado Sul Global.

“Estamos vendo governos de grande países se fecharem para garantir o apoio da sociedade. Agricultores franceses se posicionando contra regras ambientais, políticas industriais nos Estados Unidos pensando em subsídios. Não acredito que esta seja a solução. O Brasil tem que influenciar este cenário com conciliação, boas práticas, mostrando o valor dos ativos ambientais”, defende Lins, confirme a Agência DW.

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