O G20 e a agenda externa brasileira

Lula da Silva e Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, Misto Brasil
Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, com Lula da Silva/Arquivo/Divulgação
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São Paulo receberá a primeira reunião de ministros de Finanças do grupo, ocom 500 representantes internacionais

Por André César – SP

A reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, realizada essa semana no Rio de Janeiro, confirmou o retorno do Brasil a um posto de destaque na comunidade internacional. O saldo final foi inegavelmente positivo para o país.

Apenas para lembrar, o governo brasileiro ocupa até o final do ano a presidência rotativa do G20. Trata-se de um grupo de diálogo, com status distinto de uma organização como a ONU – inclusive sem a figura do secretário-geral, central naquela instituição.

Desse modo, coube ao ministro Mauro Vieira boa parte da condução dos trabalhos. Em meio à crise com Israel (crise essa que parece ter sido superada), ele mandou recados fortes aos participantes. O principal talvez tenha sido o discurso de abertura, na qual afirmou que o Brasil não aceita um mundo em que as diferenças sejam resolvidas por meio do uso de força militar. Mais ainda, disse que a ONU está paralisada.

A fala de Vieira toca em uma questão fulcral de nossos dias, a necessidade de uma reformulação profunda da ONU, em especial de seu Conselho de Segurança, mas não só. O difícil é superar os interesses dos cinco países que têm poder de veto no órgão – Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.

Os vencedores da Segunda Guerra Mundial não querem saber desse debate, apesar da grita geral em um mundo absolutamente diferente daquele do imediato pós-guerra. O importante, no caso, é manter a pressão sem o receio de parecer apenas uma retórica utópica.

Também entraram em pauta outros temas caros ao atual governo brasileiro, como transição energética e mudanças climáticas e combate à fome.

Cabe ressaltar aqui a presença do secretário de Estado norte-americano Antony Blinken, que teve longa reunião com o presidente Lula (PT). Ao final do encontro, declarou ter uma discordância real com o titular do Planalto sobre a questão de Israel em Gaza, mas tem no brasileiro um amigo e “amigos podem ter discordâncias profundas em questões específicas”. Uma clara tentativa de distensionar o ambiente.

Na próxima semana, São Paulo receberá a primeira reunião de ministros de Finanças do grupo, onde se espera a presença de cerca de 500 representantes internacionais. Tudo para desaguar no encontro de chefes de Estado e de governo, em novembro. Por ora, o Brasil está sendo aprovado no teste.

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