Nos últimos anos, o tráfico transatlântico se intensificou em uma série de portos. Houve um aumento dos volumes de apreensões
Por Misto Brasil – DF
A ministra do Interior da Alemanha, Nancy Faster, realiza nesta semana uma visita à América do Sul em busca de aumentar a cooperação no combate ao crime organizado.
Em Brasília, após uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a ministra alemã afirmou que a cooperação entre os países já está a funcionando bem.
“Queremos aprofundar ainda mais”, acrescentou. Ainda na região, Faeser viajará para Colômbia e Peru, os dois maiores produtores de cocaína do mundo, e para o Equador, que enfrenta uma grave crise de segurança devido ao narcotráfico.
“Vejo com grande preocupação a importação massiva de cocaína da América Latina. Essa droga destrói pessoas e entrega enormes lucros ao crime organizado”, declarou Faeser.
Nos últimos anos, o tráfico transatlântico se intensificou em uma série de portos, algo que é notório pelo aumento dos volumes de apreensões dos dois lados do oceano. E com a droga, a violência também avança em ambos os continentes.
Em 2023, ocorreu em Hamburgo a maior apreensão de cocaína no continente europeu daquele ano, com um valor de mercado estimado em US$ 3,5 bilhões.
Outros países europeus tradicionalmente com menor presença do crime organizado, como Holanda e Bélgica, também registraram um aumento de ações criminosas, especialmente em cidades portuárias como Roterdã e Antuérpia. Somente no porto belga foram apreendidas 116 toneladas de cocaína em 2023, um valor recorde, mas que corresponde a uma pequena fração do volume real enviado.
Do outro lado do Atlântico, houve uma mudança de escala com um boom na quantidade de drogas que passa por portos brasileiros e chega ao continente europeu, o que é medido pelo volume de apreensões, afirma a socióloga Isabela Vianna Pinho, doutoranda na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que estuda mercados ilegais e portos.
Além de Santos, o maior porto da América Latina, outras zonas portuárias brasileiras como Paranaguá registraram um grande aumento nos envios de drogas.
Na região, além das zonas de emissão tradicionais como as cidades colombianas, Guayaquil, no Equador, se notabilizou nos últimos anos pela forte presença de organizações criminosas usando suas rotas marítimas para envios de droga. Na Argentina, o município portuário de Rosário vivenciou um fenômeno semelhante.





















