No cenário doméstico, o risco de desidratação do pacote fiscal durante a tramitação no Congresso Nacional seguiu pressionando os ativos locais
Por Misto Brasil – DF
Em mais um dia de recordes, o dólar à vista estendeu o ritmo de forte ganhos com o aumento das incertezas sobre o cenário fiscal e a decisão sobre juros nos Estados Unidos.
Na comparação com o real, a moeda norte-americana encerrou as negociações a R$ 6,2657 (+2,78%) — e renovou o maior nível de fechamento da história pela terceira sessão consecutiva. O recorde anterior foi atingido na véspera, quando o dólar fechou a R$ 6,0961.
A moeda também bateu a máxima intradia desde a criação do real, em 1994, ao alcançar R$ 6,2707, anotou o InfoMoney.
O desempenho acompanhou a tendência vista no exterior. O indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, subiu aproximadamente 1,08%, aos 108.036 pontos — em reação à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed).
No cenário doméstico, o risco de desidratação do pacote fiscal durante a tramitação no Congresso Nacional seguiu pressionando os ativos locais.
Ontem (17), a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto que impõe travas para o crescimento de despesas com pessoal e incentivos tributários no caso de déficit primário — o Projeto de Lei Complementar 210, que faz parte do pacote fiscal.
Os projetos que tratam da reforma tributária e do Orçamento de 2025 também foram aprovados.
Segundo o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), os outros dois textos que compõem o pacote do governo — um projeto de lei e um projeto de emenda à Constituição (PEC) — ainda devem ser analisados pelo plenário.
Após recordes sucessivos de fechamento, o dólar deverá se acomodar em breve, disse nesta quarta-feira (18) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ressaltando o caráter flutuante do câmbio, o ministro não descartou que um ataque especulativo esteja por trás da desvalorização recente do real.![]()
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“Nós temos um câmbio flutuante e, neste momento em que as coisas estão pendentes, tem um clima de incerteza que faz o câmbio flutuar. Mas eu acredito que ele vai se acomodar”, disse Haddad ao sair do ministério para uma reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Por volta das 15h, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 6,20.
Segundo Haddad, as principais instituições financeiras têm estimativas melhores para a economia que as dos operadores de mercado. “Até aqui, nas conversas com as grandes instituições, as previsões são melhores do que os especuladores estão fazendo. Mas, enfim, o câmbio flutua”, acrescentou o ministro.
O ministro lembrou que o Banco Central tem intervindo para vender dólares e que o Tesouro Nacional suspendeu os leilões tradicionais de títulos da dívida pública para fazer leilões de troca e recompra de papéis até sexta-feira (20). Ele não descartou a possibilidade de ataque especulativo coordenado, diante dos juros recordes no mercado futuro e da disparada do dólar. (Com a Agência Brasil e MoneyTimes)





















