O conceito do placemaking vai ao encontro da mobilização de revitalização dos centros das cidades e dos espaços públicos
Por Luiza Collaço Paulo – SC
Nos 20 anos de experiência que adquiri trabalhando na construtora da família, em Florianópolis, percebi que o conceito de morar bem excede em muito o espaço físico do imóvel.
Todo o entorno do empreendimento, seja a rua, ou o bairro, acabam por complementar a qualidade de vida dos moradores.
Há dois anos fundei a Samart, que entregará 350 novas unidades habitacionais divididas em três empreendimentos que serão construídos até 2028 num raio de 300m³ no centro da cidade.
E a preocupação hoje com este volume de entrega já não é apenas com obra e acabamento de novos apartamentos, mas com a construção de um bom lugar para os moradores viverem além da suas casas.
Por isso, ressaltamos o conceito do placemaking, o qual adotamos em nossos projetos, que não é novo no mundo, mas inovador no Brasil e vai ao encontro da mobilização de revitalização dos centros das cidades, um movimento que ganha cada vez mais força.
Este conceito, que surgiu na década de 1970, nos EUA, é uma estratégia eficaz para revitalizar espaços públicos, transformar áreas negligenciadas ou subutilizadas em locais vibrantes e atraentes.
O foco é nas pessoas, com criação de espaços de convívio que proporcionem acessibilidade, cultura, sociabilidade, conforto e bem-estar.
Um exemplo disso, é o High Line, em Nova York, um parque linear elevado criado em 2009 para revitalizar a zona oeste de Manhattan que atrai em torno de oito milhões de visitantes por ano.
Catalisador para a geração de novos negócios e para o desenvolvimento local, em especial no litoral catarinense que merece preservar sua natureza a cultura mesmo com o boom imobiliário, acredito que esta inovação no mercado seja um caminho sem volta, visto que pequenos negócios, como cafés, restaurantes, lojas e feiras, começam a surgir e a prosperar no entorno de empreendimentos imobiliários projetados para pessoas.
Essa efervescência econômica contribui para a criação de empregos, para retenção de talentos e para o fortalecimento da economia local. Logo, esta visão de que o empreendimento vai muito além da obra física, deve se propagar nos próximos anos nas principais cidades do Brasil, oferecendo uma experiência de morar dentro e fora de casa.
(Luiza Collaço Paulo é fundadora e CEO da Samart Estruturação de Negócios Imobiliários)
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