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Câmara e Senado: quem venceu e quem perdeu?

Hugo Motta Lula da Silva e Davi Alcolumbre Misto Brasil

Hugo Motta, Lula da Silva e Davi Alcolumbre em encontro hoje no Planalto/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

Como pode agendas tão distintas achar um equilíbrio em torno de candidaturas nas duas Casas legislativas

Por Roberto Queiroga – SP

Descendente de dois presidentes dos Estados Unidos, é atribuída ao novelista e historiador Henry Adams a seguinte afirmação: “A política, como o amor, mantém a cortina baixada”.

Esta citação não é encontrada em suas obras, mas da mesma forma que muitas citações são feitas às escondidas, na política, grande parte das reais motivações dos acordos firmados são mantidos sob o sigilo conveniente dos políticos.

A eleição das duas Casas Legislativas, procedida pelas celebrações no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, com a presença de ministros do governo e parlamentares proeminentes da oposição, causam vertigens nos eleitores brasileiros.

Os dois lados polarizados se perguntam: devemos comemorar?

O que foi acordado entre os parlamentares para que ambos tomassem a mesma posição? Como pode agendas tão distintas do ponto de vista econômico, político e social, achar um equilíbrio em torno de, praticamente, uma candidatura nas duas Casas legislativas?

Emendas parlamentares, reforma ministerial, anistia, alteração legislativa para inelegibilidade, não importa o que foi prometido, os discursos das vitórias não parecem ser suficientes para a população ficar sabendo como os presidentes das duas Casas Legislativas pensam sobre os relevantes temas políticos postos sobre a mesa.

A falta de oposição competitiva, além de empobrecer o debate, também permite que os compromissos não necessitem ser publicitados.

Aos olhos do eleitor comum, o governo brasileiro saiu melhor na foto. Literalmente, a imagem de hoje do presidente Lula da Silva de mãos dadas com Alcolumbre e Hugo Motta reverbera a sua fama de conciliador e articulador político muito mais que os expoentes da oposição.

Expoentes estes que não foram claros em suas posições e que só foram a público para combater as candidaturas avulsas que “ousaram” não fazer parte do acordão entre as diferentes cores políticas.

O eleitor da esquerda também se perdeu nesta ausência de disputa. Quanto custa a perda da representatividade de suas agendas quando o governo cede mais espaço ao Centrão? Qual o custo acertado para a governabilidade? Não seria o caso de a sociedade ter estas informações?

São muitas interrogações, mas não poderia ser diferente. Muito provavelmente a sociedade não gostaria de ver, de forma tão explícita, o que está por trás desta cortina.

(Roberto Queiroga é sócio da Eixo Relações Institucionais)

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