O governo Jair Bolsonaro demorou para tomar as devidas medidas sanitárias, como o distanciamento social e a obrigatoriedade do uso de máscara
Por Misto Brasil – DF
Há cinco anos, a Covid-19 chegava ao Brasil. Com uma resposta dúbia do governo federal, o país foi um dos mais afetados pela pandemia, vendo mais de 700 mil pessoas morrerem.
O primeiro caso de Covid-19 foi diagnosticado no Brasil em 26 de fevereiro de 2020.
Dois dias antes, um homem de 61 anos, recém-chegado da Itália, dirigiu-se ao Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo com sintomas de uma enfermidade respiratória, lembra a reportagem da Agência Sputnik.
Como ele havia recém-chegado do continente europeu, por onde a pandemia já estava a vapor, foi designado para fazer um teste PCR para identificar o vírus SARS/Cov-2. Com isso, veio também a certeza: a Covid-19 havia chegado ao Brasil.
A partir disso, a doença começou a se espalhar pelo país de maneira exponencial. Um mês depois já eram 4 mil casos diagnosticados e 112 mortos. Dois meses depois do primeiro caso confirmado já eram mais de 58 mil casos e 4.047 mortos. Uma semana depois, 96 mil casos e 6.750 mortos.
À revelia dos especialistas e devido aos baixos números absolutos iniciais, o governo da época, de Jair Bolsonaro, demorou para tomar as devidas medidas sanitárias, como o distanciamento social e a obrigatoriedade do uso de máscara.
No Distrito Federal, essas iniciativas só entraram em vigor em meados de março, sendo subsequentemente adotadas pelas demais unidades federativas.
Em meados de maio, a pandemia começou a atingir o auge no país. Eram mais de 100 mil novos casos por semana. Em junho houve 200 mil por semana, e o país cruzou a marca de 1 milhão de infectados. Em julho, 300 mil novos casos por semana.
Em agosto, o Brasil superou a marca de 3 milhões de casos e ultrapassou os 100 mil mortos.
A rapidez com que a doença foi se espalhando fez colapsar todo o sistema de saúde brasileiro — público e privado —, especialmente nas capitais. Hospitais ficaram sem leitos de tratamento intensivo para colocar os pacientes graves, sem profissionais suficientes para atender toda a população infectada e com falta de insumos básicos e equipamentos de proteção individual, como luvas, seringas e máscaras.
Mais preocupante, no entanto, foi o colapso do sistema de saúde do Amazonas (AM), o primeiro a enfrentar a crise de proporções catastróficas. A capital, Manaus, se viu com falta de oxigênio para oferecer aos adoentados.
Familiares se viram forçados a comprar tanques de oxigênio por conta própria, e os governos estadual e federal foram acusados de negligência por apostarem no conceito de “imunidade de manada”, em que quanto mais pessoas forem expostas à doença, mais se tornam resistentes ao vírus. Dessa forma, elas protegeriam aquelas que mais estão em risco.
A gravidade da situação repercutiu mundialmente, com o estado recebendo doações internacionais. A Venezuela, por exemplo, enviou 136 mil litros de oxigênio para ajudar na calamidade.

Início da vacinação
O avanço da ciência e da tecnologia possibilitou que uma vacina fosse rapidamente criada para combater a disseminação da Covid.
No início de 2021, as vacinas da Sinovac, da Oxford/AstraZeneca e da Pfizer começaram a chegar ao Brasil imunizando em um primeiro momento pessoas com comorbidades, como doenças respiratórias crônicas, idosos e grávidas.
A vacinação se mostrou um divisor de águas na saúde pública brasileira.
Em janeiro de 2021, a taxa de contaminação estava em 360 mil por semana, com 7 mil óbitos semanais. Ao final do ano, apenas 40 mil casos eram detectados a cada semana, e o número de mortos caiu para 776.
A segunda onda
Um momento preocupante da pandemia foi a emergência de uma segunda onda de infecções, causada por variantes do vírus. A mais grave foi a P.1, também conhecida como Gama, que se originou no Amazonas e se espalhou pelo resto do país.
Essa mutação viral era mais transmissível e mais letal do que o coronavírus original, oferecendo mais perigo para as pessoas, principalmente para aquelas que já haviam sido infectadas e acreditavam ter se tornado resistentes à doença.
As vacinas demonstraram ser igualmente eficazes à variante P.1 e outras que se desenvolveram no exterior e chegaram ao Brasil, anunciando o início do fim da pandemia.
Coronavírus não ficou na história
Ainda que o estado de crise global gerada pelo coronavírus tenha ficado no passado, a COVID-19 não ficou na história. Ainda hoje, casos são detectados no Brasil e no mundo, e pessoas seguem morrendo da infecção viral.
Só neste ano foram 13,7 mil casos identificados da doença. Devido à campanha de vacinação e ao estado de normalidade da saúde pública, apenas 82 pessoas morreram. É uma taxa de 0,24 mortos por 100 mil habitantes, frente à 340,29 mortos por 100 mil no acumulado de toda pandemia.
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