”É um país coberto de cemitérios clandestinos”

México tiroteio aeroporto internacional Misto Brasília
Detalhes do carro após o tiroteio próximo ao aeroporto internacional do México/Arquivo/Reprodução/TV Azteca
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De 1952 até hoje, mais de 354 mil pessoas desapareceram no México. em 2024, 92,9% dos crimes não foram denunciados

Por Misto Brasil – DF

A descoberta de sapatos, restos de roupas e ossos humanos carbonizados em um “campo de treinamento” do narcotráfico no município mexicano de Teuchitlán é apenas o capítulo mais recente do mapa desolador dos desaparecidos no México.

”É um país coberto de cemitérios clandestinos”, anotou Viola Traeder, da Agência DW.

No local, identificado como um centro de extermínio usado pelo cartel, voluntários encontram centenas de objetos pessoais e restos mortais após seguirem uma denúncia anônima em meados de março.

A descoberta agravou a crise enfrentada no país. Seis meses antes, a Guarda Nacional havia estado no local e iniciado trabalhos de busca, mas encerraram as atividades com poucos avanços.

A presidente Claudia Sheinbaum ordenou uma investigação para apurar possível omissão dos agentes públicos.

“Teuchitlán, infelizmente, veio para abrir os olhos não apenas do México, mas do mundo inteiro, para que percebam que os desaparecimentos aqui são um fenômeno horrível que vem ocorrendo há anos e só vem piorando”, disse Aranzazú Ayala Martínez, da organização Quinto Elemento Lab, à DW.

“Há pelo menos dez anos, as famílias dos desaparecidos estão procurando, denunciando, fazendo manifestações, se mobilizando, realizando caravanas, bloqueando estradas, se apresentando diante de presidentes, e ninguém nunca as ouviu”.

“Nenhum governo mexicano está isento de responsabilidade, e estou falando dos três níveis de governo”, continua a jornalista mexicana, especializada em questões de direitos humanos.

De acordo com o Registro Nacional de Pessoas Desaparecidas e Desaparecidos (RNPDNO), de 1952 até hoje, mais de 354 mil pessoas desapareceram no país. Dessas, mais de 126 mil ainda não foram encontradas. As outras mais de 228.000 vítimas foram localizadas – vivas ou mortas.

O registro é alimentado principalmente pelasinvestigações abertas pelas promotorias estaduais, pela Cidade do México e pela Procuradoria Geral da República.

Além disso, considerando a subnotificação, Chamberlin teme que o número de pessoas desaparecidas possa ser “exponencial”.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México, em 2024, 92,9% dos crimes não foram denunciados ou as autoridades não iniciaram uma investigação.

Ayala Martínez também enfatiza que no México há 70 mil corpos não identificados nos necrotérios e nos serviços médicos forenses. “Estamos passando por uma grave crise forense também em decorrência dos desaparecimentos”, enfatiza.

O fenômeno dos desaparecimentos começou nas décadas de 1960, 1970 e 1980 como uma estratégia para perseguir dissidentes políticos armados, disse Chamberlin, que atua na defesa de direitos humanos no México há 30 anos.

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