Com tantas variáveis ainda em aberto, movimentos mais drásticos podem ser vistos apenas como apostas e a prudência é recomendada
Por Juliano de Lara Fernandes – SP
As ações do BRB valorizaram mais de 80% até o momento desta análise, com boa parte desse ganho registrado desde a primeira hora de pregão.
O motivo dessa valorização ainda não está totalmente claro, mas parece estar relacionado à crença entre investidores de que o valor de 75% do patrimônio líquido do banco, proposto pelo conselho de administração do BRB, está abaixo do valor justo do Banco Master, caso uma reorganização efetiva seja possível.
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Isso envolveria a compra de 58% do capital total do banco e a possível exclusão de alguns ativos.
Contudo, na ausência de um fator claro, a elevação pode ser fruto de especulação, não permitindo uma avaliação mais precisa do negócio neste momento. A análise se torna ainda mais incerta, considerando que a proposta oficial ainda não foi analisada pelo Banco Central, deixando a aprovação da compra pelo BC como uma incógnita. A princípio, não há um impedimento formal para a negociação, mas a situação segue indefinida.
Esse é um bom momento para comprar ações em um dos bancos? Neste momento, muitos já embutiram no preço da ação o aumento de 80-100% no valor das ações do BRB.
Se o negócio não se concretizar ou não tiver todas as cláusulas positivas esperadas (que, mesmo assim, são duvidosas quanto à sua concretização), o investidor que comprar agora o BRB já estará pagando por essa expectativa.
Com tantas incertezas, os acionistas do BRB podem entender que a quase duplicação do valor do banco frente à compra pode representar um exagero do mercado, levando alguns a considerar embolsar lucros.
Para os investidores do Banco Master, a aquisição pelo BRB pode contribuir para um maior provisionamento para os títulos privados do banco, ampliando suas garantias em um momento em que o banco, isoladamente, poderia demonstrar menor resiliência.
No entanto, com tantas variáveis ainda em aberto, movimentos mais drásticos podem ser vistos apenas como apostas em desfechos futuros, sem uma clareza quanto aos impactos monetários para ambas as instituições.
Nesse contexto, a prudência é recomendada para evitar posicionamentos excessivos em cenários incertos.
Para acionistas e investidores de outros bancos, o impacto desta transação deve ser mínimo. No mercado, as ações dos principais bancos listados seguem uma leve queda, acompanhando a tendência de baixa do Ibovespa.
(Juliano de Lara Fernandes é gestor de fundos e sócio da Armada Asset)