Papa apareceu na sacada da Basílica antes de morrer

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Papa Francisco em Aparecida durante sua viagem ao Brasil em julho de 2013/Arquivo/Vatican News
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Papa Francisco defendeu os refugiados e os sem-teto e lutou pela proteção da Criação e também pelo clima da Terra

Por Misto Brasil – DF

Neste domingo, o pontífice, de 88 anos, tinha aparecido na sacada da galeria central da Basílica de São Pedro para a bênção Urbi et Orbi após a missa do Domingo de Páscoa e depois saudou os fiéis circulando a Praça de São Pedro a bordo do papamóvel, usando o veículo pela primeira vez após deixar hospital.

Com voz ainda fraca, ele desejou a todos, da sacada, uma “feliz Páscoa” e pediu ao mestre de cerimônias para fazer a leitura de sua tradicional bênção “Urbi et Orbi” (“à cidade e ao mundo”) para as cerca de 35 mil pessoas reunidas na Praça São Pedro, anotou a Agência DW,

Leia: papa Francisco morreu na manhã desta segunda-feira

Francisco não participou de nenhum dos ritos da Semana Santa, pois ainda estava se recuperando após passar 38 dias no hospital Agostino Gemelli com pneumonia bilateral e receber alta em 23 de março.

Entretanto, o sumo pontífice fez algumas aparições, após sair da clínica – contrariando recomendações médicas, que previam ao menos dois meses de convalescença – como, por exemplo, ao visitar uma prisão perto do Vaticano na tarde da Quinta-feira Santa, para cumprimentar os presos, como vinha fazendo desde o início de seu pontificado.

Primeiro papa latino-americano

Foi o primeiro papa da América Latina, o primeiro jesuíta à frente da Igreja Católica. E nunca antes um líder da Igreja escolhera este nome tão programático, porque evoca Francisco de Assis (1182-1226).

Francisco de Assis, filho de um comerciante que renunciou a todas as riquezas, seguiu o chamado de Jesus por uma vida na pobreza radical e fundou a ordem franciscana com este espírito. O nome papal Francisco não soa como o esplendor dos palácios do Vaticano, não lembra um chefe da Igreja e de Estado.

O argentino Jorge Mario Bergoglio, eleito papa em 2013, não escolheu esse nome sem motivo: como nenhum Santo Padre antes dele, defendeu os refugiados e os sem-teto e lutou pela proteção da Criação e do clima. Com isso, impressionou o mundo. Nos últimos tempos vinha sofrendo visivelmente com a diminuição de suas forças.

Pronunciamento incendiário

Quando o papa Bento 16 surpreendentemente renunciou em fevereiro de 2013, afloraram as especulações no Vaticano, também sobre o sucessor. Bergoglio, então com 76 anos, era pouco citado como candidato, muito menos como favorito.

O arcebispo de Buenos Aires, descendente de imigrantes italianos, já fora um dos candidatos no conclave de 2005, ao lado do alemão Joseph Ratzinger. Antes de sua escolha como sumo pontífice em 2013, porém, Bergoglio tomara a palavra num “pré-conclave”, o primeiro de seu tipo, no qual os cardeais queriam trocar opiniões sobre a situação da Igreja.

Esse “discurso incendiário” tornou-se conhecido semanas depois. Nele, o argentino apelara por uma  “liberdade de expressão ousada” na Igreja, que teria que sair de si mesma e expandir-se “para as margens”. Segundo ele, a Igreja não devia girar em torno de si mesma.

Eram palavras inusitadas, vidas de um cardeal, sobretudo um que se tornaria papa. O poder desse discurso ainda pode ser sentido no documentário de Wim Wenders Papa Francisco: Um homem de palavra (2018). Também aqui, o chefe da Igreja Católica prega, num discurso acessível, um novo começo para a Igreja e a proximidade com os marginalizados.

Sua conduta foi coerente com essas propostas. Ao contrário de seus predecessores, por séculos, Francisco não se mudou para o Palácio Apostólico, que se ergue no alto da Praça de São Pedro, como a residência de um soberano, e transpira passado.

Em vez disso, ficou alojado em dois quartos da Casa de Hóspedes do Vaticano durante todo o seu pontificado. E fazia as refeições na mesma sala onde os funcionários ou convidados eram servidos com um simples buffet.

Em muitos aspectos, Francisco agiu de modo totalmente oposto ao de Bento 16, que muitas vezes parecia pouco sociável. Quase dez anos mais velho que seu sucessor, o alemão costumava comparar Francisco a um avô, a quem visitava e simplesmente escutava.

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