Essas viagens de retorno são, em grande parte, invisíveis. Os migrantes não são monitorados, não têm proteção e ficam expostos à violência
Por Misto Brasil – DF
A política migratória do presidente dos EUA, Donald Trump, pressiona cada vez mais imigrantes que vivem em território americano e leva muitos a deixar o país por trajetos alternativos e perigosos.
O movimento de migração reversa faz com que áreas antes usadas para a travessia rumo ao norte agora passem a registrar intensos deslocamentos em sentido contrário e acumulem violações de direitos humanos, conforme registrou a Agência DW.
Migrantes que antes enfrentavam a Selva de Darién, por exemplo, um trecho mortal de floresta densa entre a Colômbia e o Panamá tradicionalmente usado em jornadas rumo aos Estados Unidos, agora percorrem o mesmo caminho, mas em direção ao sul.
Essas viagens de retorno são, em grande parte, invisíveis. Os migrantes não são monitorados, não têm proteção e ficam expostos à violência sexual, tráfico de pessoas, exploração, além de sofrerem com grave escassez de alimentos e água potável ao longo do percurso. Muitas vezes, são obrigados a pagar e fazer o trajeto sob a tutela de contrabandistas e grupos criminosos.
Apesar de os dados públicos sobre esses trajetos raramente distinguirem o movimento reverso das rotas tradicionais rumo ao norte, informações disponibilizadas pelo governo da Colômbia revelam pistas sobre a atual dinâmica migratória no país.
Segundo o think tank americano Niskanen Center, que analisou essas informações, a Colômbia interceptou 4.513 migrantes cruzando sua fronteira norte vindos do Panamá entre fevereiro e março.
“Embora esse número possa parecer modesto, ele é praticamente inédito nos últimos anos: Em 2024, foram registradas apenas duas interceptações desse tipo, em um total de 400.612 migrantes contabilizados“, diz a organização.

