Derretimento da publicidade na economia da desatenção

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O funcionamento de canais de televisão depende de autorização do governo/Arquivo/SBT
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Um estudo da Nielsen mostra que mais de 70% dos brasileiros usam o celular enquanto assistem à televisão

Por Charles Machado – DF

Em uma sociedade onde as pessoas passam horas das suas vidas grudadas no celulares, como fazer anúncios que possam prender a atenção. Afinal se a publicidade é a alma do negócio como manter a atenção e converter em venda quando a atenção do cliente mudou de lugar.

Claramente o, consumidor atual é multitela por natureza: navega no celular enquanto assiste à TV, comenta um post enquanto ouve um podcast e pula de uma plataforma para outra com uma fluidez quase automática.

Um estudo da Nielsen, empresa global de medição, dados, análises de audiência e comportamento do consumidor, mostra que mais de 70% dos brasileiros usam o celular enquanto assistem à televisão.

O que muda é que a atenção agora está em múltiplos lugares ao mesmo tempo, o que exige da publicidade uma abordagem mais integrada e contextual.

A publicidade mais eficaz hoje é a que se adapta ao tempo (curto), ao formato (flexível) e ao contexto (em tempo real), ao menos essa é a tentativa, ou seja é cada dia mais difícil prender a atenção de alguém.

Na briga pela sua atenção inaugura-se um vale tudo, multitela e multiplataforma, e quem tem fôlego e caixa pra isso.

Grandes empresas anunciam durante eventos esportivos, sua marca e procuram realizar ativações através de QR Codes nos comerciais de TV que levam a experiências exclusivas no celular, como brindes, playlists e promoções relâmpago, ou seja um marketing que precisa estar na mídia aberta pra levar para uma plataforma digital para, conhecer melhor o cliente e fidelizar.

O chamado phygital (experiência híbrida), onde físico e digital se encontram sem ruptura.

Logo as mesmas peças publicitárias que são criadas para o Instagram e eram adaptadas para o para o YouTube precisam ser refeitas para todas as outras mídias digitais com ajustes distintos para cada rede social.

Dessa forma o conteúdo precisa ser pensado desde o início como uma jornada, com pontos de contato variados e complementares.

Todos já percebemos a dificuldade que temos em reter a atenção de alguém por pouco mais de alguns minutos? Veja quanto tempo o seu filho fica atento a algo que não seja uma tela?

O universo atual quase tudo, parece e só pode ser contemplado se estiver vertido em tela. Experimente viajar com seus filhos e veja quanto tempo eles ficam atentos a paisagem que os rodeia e quanto tempo é dedicado a tela dos seus celulares?

Esse é claramente um movimento epidemiológico, sim afinal se as pessoas não conseguem caminhar, dirigir seus carros e ficar diante umas das outras sem olhar para a tela dos seus celulares é evidente que estamos diante de uma epidemia da desatenção, onde o verdadeiro e original perdem para o “chamativo”.

Nesse momento a média de atenção humana é de espantosos 8 segundos, o que torna as técnicas de engajamento fundamentais, e dane-se se o conteúdo é verdadeiro ou não, os novos seres dependentes de tela não se importam tanto com a verdade, e mesmo quando você apontar o absurdo do conteúdo eles continuam propagando, afinal mais importante do que a verdade é causar, e assim seguem os adoradores de mentiras nas redes sociais.

Tudo isso influencia é claro no universo econômico e social, impactando a todos na disputa da atenção, de uma atenção que “converta’, e é cada vez mais caro e difícil converter.

Recentemente, em um de seus best sellers, o comentarista político e autor estadunidense Chris Hayes destaca a relação entre as plataformas digitais e o colapso da atenção, algo que tem sido alimentado pela lógica da economia da atenção.

Ao transformar a atenção em um recurso escasso, as plataformas digitais maximizaram seu poder de captura e controle das interações dos usuários, o que, por sua vez, afeta a qualidade da informação e a confiança nas instituições.

Hayes aponta para uma transição do antigo modelo de jornalismo, onde jornalistas e veículos, como o The Washington Post, não estavam diretamente ligados ao número de visualizações ou à pressão de algoritmos.

A “moral da atenção” imposta pela lógica de maximizar cliques e interações diminui a capacidade crítica e deliberativa, substituindo o que é importante e verdadeiro pelo que é mais chamativo e provocativo. É essa ausência de senso crítico que faz com que ignóbeis propaguem besteiras.

Nos últimos anos, discutiu-se com mais força a necessidade de regulação para combater a desinformação e os abusos de poder das big techs, gerando um risco considerável ao modelo de negócios dessas plataformas gigantescas.

Nessa nova economia onde seus dados e seu tempo são a moeda de troca, onde ter mais tempo seu, implica em ter mais dados seus, e

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