Esconder o choro e a tristeza afeta os filhos?

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Esconder sentimentos, como a tristeza, pode afetar também os filhos/Arquivo/CoraçãoFiel
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E essas crianças, por conviverem com essa repressão de emoções, podem lidar muito pior com o estresse

Por Misto Brasil – DF

O mundo desmorona quando uma pessoa chora de tristeza ou raivaSuas emoções se transformam em lágrimas, e ela tenta esconder o rosto com as mãos e superar a provação o mais rápido possível.

Mas a situação se complica ainda mais quando o filho aparece e pergunta: “Você está chorando?”, escreve Jorge Marzo Arauzo, do El País.

Alguns pais consideram esse momento uma crise ainda maior do que a que estão vivenciando; eles congelam, enxugam as lágrimas e respondem: ” Não, querida, está tudo bem, estou bem, não há nada de errado comigo”.

Com este exemplo, Leticia Falagán, especialista em saúde e psicologia infantil, explica uma situação típica.

“Se respondermos que está tudo bem, a criança percebe que isso não é verdade. E, no final, o que estamos ensinando a ela é esconder sua tristeza. E estamos dizendo a ela que chorar não é bom”.

E essas crianças, por conviverem com essa repressão de emoções, podem, segundo a psicóloga, lidar muito pior com o estresse e a ansiedade na vida adulta.

O estudo sugerido pelo especialista “Keeping It to Yourself? Parents’ Emotional Suppression Influences Physiological Bonding and Interaction Behavior”, publicado no Journal of Family Psychology em abril de 2020, conclui que, quando os pais reprimem suas emoções na frente dos filhos, as interações entre ambos (frieza, aconchego e engajamento) diminuem, e a tensão fisiológica aumenta.

A atriz Angelina Jolie, em entrevista à Vanity Fair , admitiu que preferia chorar no chuveiro do que na frente dos filhos. 

“Eles precisam saber que tudo ficará bem, mesmo quando você não tem certeza absoluta de que isso vai acontecer”, explicou a atriz.

“Muitos pais evitam chorar na frente dos filhos porque acreditam que isso os protegerá. No entanto, as emoções não desaparecem por não demonstrá-las: situações difíceis continuam existindo, mesmo que sejam silenciadas”.

“Em outros casos, o que está por trás disso é o medo de que os filhos os vejam como vulneráveis, embora isso seja um mito”, acrescenta a especialista.

“Às vezes, nos ensinaram que demonstrar emoções é para pessoas fracas, e isso nos leva a pensar que, se os adultos demonstrarem tristeza ou angústia, perderão a autoridade com os filhos”.

O objetivo não é apenas evitar demonstrar dor ou estresse por meio de lágrimas, mas também qualquer tipo de emoção desagradável, segundo a especialista, que também dá um exemplo disso: uma mãe que, durante um processo de separação, evita contar à filha que vai a um psicólogo para não preocupá-la, e lhe conta uma mentira.

As crianças podem não saber se um adulto está triste ou não, mas percebem uma mudança de atitude para pior nos relacionamentos interpessoais, afirma a psicóloga:

“Uma criança pode dizer: ‘Meu pai não me diz que está triste, mas percebo que ele está distante ou não me dá muita atenção’.

Essa ausência, inexplicável, pode ser mais confusa e dolorosa do que a própria emoção. A mensagem que recebem é:

‘ Eu não sou importante‘. A informação, adaptada à sua idade, é sempre poderosa. As crianças precisam saber, mesmo em palavras simples, o que está acontecendo.”

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