Apenas para relembrar, o republicano Donald Trump deu um prazo de 50 dias para Putin abandonar o conflito com a Ucrânia
Por André César – SP
Com a escalada da tensão entre os Estados Unidos e a Rússia por conta da invasão da Ucrânia, torna-se interessante abordar filmes que tratam do assunto.
Apenas para relembrar, o republicano Donald Trump deu um prazo de 50 dias para Putin abandonar o conflito, ameaçando Moscou com pesadas sanções.
Agora, a Casa Branca anuncia que pode reduzir drasticamente esse prazo, o que gerou dura resposta do Kremlin. “Cada novo ultimato é um passo em direção à guerra”, afirmou o ex-presidente russo Dmitry Medvedev.
Eis uma lista básica para se assistir em telinhas ou telões.
Dr. Fantástico – ou como aprendi a parar de me preocupar e amar a bomba: clássico absoluto dirigido pelo mestre Stanley Kubrick, com interpretação magistral de Peter Sellers, que faz três (!!) papéis. Um militar americano maluco está plenamente certo de que os comunistas planejam dominar o mundo.
Para evitar isso, ele não consegue pensar em nada melhor do que bombardear a União Soviética. A ordem é logo cancelada, mas um dos bombardeiros norte-americanos B-52, que perdeu a comunicação por rádio, lança uma bomba nuclear em seu alvo. Verdadeira obra-prima.
A Terceira Guerra Mundial: produção de 1982. No ano de 1987, paraquedistas soviéticos desembarcam no Alasca para sabotar um oleoduto, em retaliação contra um embargo de grãos estabelecido contra a União Soviética pelos Estados Unidos.
Um confronto eclode em uma estação de bombeamento defendida por uma unidade de reconhecimento da Guarda Nacional. O perigo aumenta à medida que o então primeiro-ministro soviético e o presidente dos Estados Unidos começam a se provocar com força. A TV Globo apresentou o filme, dividido em partes, em 1984.
Amanhecer violento: um pequeno clássico com a cara dos anos 80. O pior pesadelo para muitos americanos se torna realidade neste filme: russos, cubanos e nicaraguenses invadindo seu país (ou, pelo menos, uma cidade desconhecida do Colorado) e estabelecendo o “comunismo”.
Rapidamente, um grupo de jovens sem treinamento militar e quase desarmado, porém dotado de grande espírito patriótico, consegue criar uma resistência contra os invasores armados até os dentes. Diversão garantida.
O caso Bedford: outra obra produzida durante a Guerra Fria (1965). Durante uma missão na costa da Groenlândia, o destroier americano USS Bedford detecta um submarino soviético.
O capitão decide brincar de gato e rato com os russos, mas não faz ideia de que isso trará consequências trágicas para os dois lados: consequências que explodem e deixam uma nuvem na forma de um cogumelo. Terrível.
Treze dias que abalaram o mundo: um momento crítico da Guerra Fria narrado em forma de thriller. Em 1962, o presidente John Kennedy descobre o plano soviético de instalar armas nucleares em Cuba.
A situação sai do controle quando o líder soviético Nikita Kruschev envia navios de guerra para defender os interesses de seu país, quase batendo de frente com a marinha americana, o que poderia gerar uma catástrofe sem precedentes. Destaque para a participação de Kevin Costner no papel de Kenneth O’Donnell, consultor politico de Kennedy.
War Games: filme teen do início dos anos 80, um dos primeiros estrelados por Matthew Broderick (o eterno Ferris Bueller). O roteiro é típico da época – um jovem encontra uma porta em um computador militar onde a realidade é confundida com o jogo, possivelmente começando a Terceira Guerra Mundial – a chamada Guerra nas Estrelas entrava em campo. Sessão da Tarde puro.
Limite de segurança: filmado no auge da Guerra Fria, em 1964. Devido a um erro de computador, um esquadrão de bombardeiros americanos é enviado para destruir Moscou.
O presidente dos Estados Unidos (interpretado por Henry Fonda) tenta trazê-los de volta, mas um sistema de segurança sofisticado impede que o ataque seja abortado – por isso, o objetivo agora é convencer a União Soviética a não contra-atacar.
Em uma medida desesperada, o presidente sugere sacrificar uma cidade nos Estados Unidos se os pilotos conseguirem realizar a missão mortal em Moscou. Tensão total.
Caçada ao Outubro Vermelho: filmado na virada dos anos 80 para os 90, mostra a paranóia ainda reinante nas relações entre os dois países. Sean Connery representa o lituano Marko Ramius, capitão do submarino soviético Outubro Vermelho, que em 1984 desobedece a ordens e segue rumo aos Estados Unidos. Com o comando russo atrás dele, os americanos tentarão descobrir quais as reais intenções de Ramius. Trata-se de um thriller onde a tensão é permanente.
The day after: outro filme com o espírito do começo dos anos 80. Produção para a TV, fez estrondoso sucesso quando lançado. Jason Robards é um médico em uma pequena cidade do Missouri, Estados Unidos. Basicamente, o enredo trata de um conflito entre americanos e soviéticos, que começa com uma invasão de Moscou à então Alemanha Ocidental.
O quadro é devastador e apresenta os possíveis efeitos de um holocausto nuclear sobre os residentes da minúscula comunidade, em uma metáfora do que aconteceria com a humanidade.
Patton: talvez a melhor obra dessa lista, conta a história do polêmico general George Patton, que combateu com sucesso os nazistas na Segunda Guerra Mundial. Ele derrota os alemães no norte da África e sobe, atravessando a Itália até chegar a Berlin quando Hitler já havia caído. Qual o motivo desse filme estar aqui? Simples.
A entrada dos americanos na capital alemã se deu ao mesmo tempo que os soviéticos, que Patton simplesmente odiava. Em uma (hilária) das cenas finais, com as tropas dos dois países celebrando a vitória em uma festa, o general americano fala com o presidente Roosevelt e pergunta “excelência, que horas partimos para Moscou para derrubar Stalin?”.
Em tempo, interpretação sublime de George C. Scott, que inclusive ganhou o Oscar por esse trabalho.


