A divergência acontece com a instalação de um parque eólico e depois do destaque que a imprensa uruguaia ao caso
Por Misto Brasil – DF
A instalação de um parque eólico brasileiro em uma área de fronteira, no ano passado, reacendeu uma antiga e silenciosa disputa territorial entre Brasil e Uruguai.
Localizado na fronteira seca entre Santana do Livramento (RS) e Rivera, no Uruguai, o Rincão de Artigas volta a ser ponto de tensão diplomática entre os dois países após décadas de silêncio.
O caso ganhou destaque após a imprensa uruguaia divulgar imagens da obra, realizada pela Eletrobras, do Parque Eólico Coxilha Negra, concluída em abril de 2024.
A repercussão levou o governo do Uruguai a emitir uma nota diplomática cobrando explicações de Brasília sobre a presença da estrutura em território que considera ainda em disputa.
A disputa remonta ao século XIX, quando o Brasil reconheceu a independência do Uruguai, então província da Cisplatina do Império do Brasil.
O tratado de 1851 tentou definir os limites entre os dois países, mas de acordo com especialistas, deixou pontos em aberto, especialmente em relação à nascente do arroio Invernada, marco natural usado para a demarcação territorial.
“O problema é que essa nascente nunca foi tecnicamente fixada com precisão”, afirmou o professor Daniel Rei Coronato, especialista em relações internacionais e docente da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Segundo ele, o Uruguai argumenta que o tratado foi firmado sob pressão política e dependência militar. “Tropas brasileiras estavam, inclusive, em território uruguaio.”
A área em questão, tradicionalmente utilizada por pecuaristas uruguaios, sempre foi entendida, segundo Montevidéu, como um prolongamento natural da “campanha oriental”. Esse histórico alimenta um sentimento de injustiça entre os uruguaios, segundo o analista reforçou ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil.
“O Uruguai carrega um grande ressentimento histórico com relação ao Brasil”, disse o professor, mencionando também a anexação das Missões Orientais como outro motivo de mágoa na narrativa nacional uruguaia.




















