Psicóloga comenta sobre a ausência do pai

Campo sintético Samambaia Jonathan e o filho DF Misto Brasil
Jpmathan brinca com seu flho durante a inauguracão de um campo em Samambaia/Arquivo
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A ruptura ou negligência nesse vínculo interfere diretamente nos processos de identificação dos filhos

Por Misto Brasil – DF

O afastamento da figura paterna repercute para além das dinâmicas familiares, alcançando dimensões estruturantes da constituição subjetiva.

A psicóloga Maria Klien observa que a função exercida pelo pai, seja de modo presencial ou simbólico, opera como elemento estruturador nos processos de desenvolvimento psíquico.

A ruptura ou negligência nesse vínculo interfere diretamente nos processos de identificação, fragiliza marcos simbólicos.

“A função paterna atua como eixo regulador no início da vida psíquica. Quando se verifica a ausência, a descontinuidade ou o descomprometimento afetivo, há um enfraquecimento na transmissão de limites, na inscrição de figuras de autoridade simbólica e na formação de referências que favoreçam a constituição de trajetórias subjetivas consistentes”.

“Indivíduos que cresceram sem a mediação paterna podem apresentar dificuldades em reconhecer estados internos, sustentar vínculos afetivos ou elaborar frustrações sem recorrer a defesas como o isolamento, o excesso de racionalidade ou reações agressivas.

“Essas expressões não decorrem de escolhas deliberadas, mas da impossibilidade de acessar modelos confiáveis nos períodos iniciais de constituição psíquica”.

“Sem um espelho que possibilite um pertencimento simbólico, muitos sujeitos constroem imagens de autossuficiência ou força inabalável. No entanto, por detrás dessas representações, permanece um vazio relacional que impede o contato com o sofrimento. Essa dissociação entre o vivido e o manifestado é recorrente na escuta clínica”.

“Há pais que permaneceram nos ambientes familiares, mas nunca se vincularam verdadeiramente. A criança capta a ausência de reconhecimento e a recusa da escuta, introjetando a ideia de não ser digna de cuidado. Essa inscrição se perpetua, sobretudo nas relações afetivas da vida adulta”.

“Muitas vezes, é necessário autorizar o lamento pelo que não foi vivido. A falta não se reverte, mas pode ser significada. A partir dessa elaboração, abre-se a possibilidade de construir uma existência que não se apoie em performances, mas em modos mais íntegros de estar no mundo”.

“A escuta não busca apontar responsabilidades individuais, mas oferecer recursos para simbolizar experiências que, por muito tempo, permaneceram silenciadas”.

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