A guinada à direita na Bolívia e seu impacto regional

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Vista parcial da cidade de La Paz, a capital administrativa da Bolívia/Arquivo/Divulgação
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Com o processo boliviano concluído, assim como no Equador, resta a eleição chilena para fecharmos o ano eleitoral de 2025, na América do Sul

Por Marcelo Rech – DF

As eleições deste domingo, na Bolívia, impactarão vários processos eleitorais que virão, inclusive, o brasileiro de 2026. Apesar do menosprezo tradicional ao que se passa na vizinhança, o que aconteceu na Bolívia pode replicar com mais força se considerarmos que este não é um processo isolado.

Localizada no coração da América do Sul e rica em gás natural e lítio, a Bolívia terá um segundo turno entre o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga, de direita, e o senador Rodrigo Paz, de centro.

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Apesar do caos econômico no país, a ascensão de Paz não foi constatada pelos institutos de pesquisa e ele terminou em primeiro lugar.

Com o processo boliviano concluído, assim como no Equador, resta a eleição chilena para fecharmos o ano eleitoral de 2025, na América do Sul. Nos dois primeiros, a direita saiu vencedora. No Chile, há grandes chances de a esquerda perder também, embora Gabriel Boric tenha se distanciado do radicalismo.

É importante destacar, ainda, que o retorno de Donald Trump ao poder nos EUA, também tem sido um elemento a mais nesta tendência de mudanças na América do Sul. Os EUA voltaram a se aproximar da Argentina, do Paraguai e do Equador, países que terão enormes vantagens em termos comerciais e de segurança, nesta aliança com Washington. Este cenário também pesou nas urnas bolivianas.

Na Bolívia, as pessoas cansaram do modelo socialista inaugurado por Evo Morales, o primeiro líder cocaleiro a chegar ao poder, há mais de 20 anos. Inelegível para estas eleições, Morales sabotou o país. Patrocinou o caos fechando rodovias e promovendo quebra-quebra. A violência urdida pelo ex-presidente passou batida na imprensa em geral, mas não foi ignorada pelos eleitores.

Morales pressionou de todas as formas, mas não conseguiu reverter sua situação e ficou de fora do pleito. Não satisfeito, tratou de infernizar a vida do presidente Luis Arce, seu ex-ministro da Economia.

Arce não conseguiu recuperar a economia e viu o país enfrentar escassez até mesmo do pãozinho, o que não se justifica se considerarmos a fortuna arrecada em dólares com a exportação de gás.

No dia 19 de outubro, Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, e Jorge Tuto Quiroga, da Aliança pela Liberdade e Democracia, disputarão o segundo turno e o futuro da Bolívia. Embora haja diferenças entre ambos, o certo é que o modelo socialista será aposentado no país.

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