O segundo turno das eleições será disputado no dia 19 de outubro entre Rodrigo Paz Pereira e o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga
Por Misto Brasil – DF
O resultado das eleições presidenciais realizadas neste domingo na Bolívia não poderia ter sido mais surpreendente, escreveram Federico Rivas Molina e Caio Ruvenal, do El País.
Como um maratonista se recuperando na reta final, o candidato do Partido Democrata Cristão, Rodrigo Paz Pereira, filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, considerado por muitos como um candidato que nem sequer merece ser considerado em análises políticas, venceu o primeiro turno com 32% dos votos.
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Em 19 de outubro, ele disputará a presidência contra um conhecido de longa data dos bolivianos, o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga, representante da ala mais radical da direita, que ficou em segundo lugar na apuração final, com 27%.
O resultado eliminou o liberal Samuel Doria Medina, que fazia sua quarta tentativa e liderava as pesquisas até o dia da eleição. Ele obteve apenas 20% dos votos. Doria Medina admitiu a derrota rapidamente e apoiou Paz no segundo turno.
Andrónico Rodríguez, o candidato de esquerda que esperava conquistar os votos de Evo Morales — que havia sido impedido de concorrer pelo Tribunal Constitucional por ter sido reeleito duas vezes —, teve que se contentar com o quarto lugar, com 8% dos votos.
O vencedor do primeiro turno das eleições bolivianas nasceu em Santiago de Compostela há 57 anos, durante o exílio de seu pai na Espanha durante a ditadura boliviana. Ele iniciou a campanha com 2% de apoio, sob a sigla Partido Democrata Cristão. Sua ascensão foi rápida.
Paz conseguiu atrair, contra todas as probabilidades, parte do voto histórico do MAS e também parte do antigo movimento político conservador representado por Tuto Quiroga, Doria Medina e os demais candidatos.
Seu companheiro de chapa, Edmand Lara, é um ex-policial ativo nas redes sociais e popular por denunciar casos de corrupção na força policial em que atuou.
A Bolívia está entrando em uma nova era política após 20 anos de governos sob o Movimento ao Socialismo (MAS) de Evo Morales. O líder cocaleiro foi candidato por ser portador de deficiência.
Ele também enfrenta acusações de estupro e tem um mandado de prisão pendente. Neste domingo, ele votou antecipadamente em Lauca Ñ (Chapare), escoltado por uma operação de 150 homens e mulheres que o protegiam da polícia.
O líder indígena permaneceu ativo em X. “Se não fosse por Luis Arce, teríamos vencido estas eleições!”, escreveu, concentrando seus ataques, mais uma vez, no presidente, a quem acusa de proibi-lo e de roubar sua sigla MAS.






















