Quando rock e política se encontram – 3 (festivais)

Música rock Jimi Hendrix Misto Brasil
Jimi Hendrix se apresentou numa manhã de segunda-feira no Woodstock/Arquivo/Guitarload
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Fechando a trilogia sobre rock e política, um olhar sobre os grandes festivais que moldaram um novo desenho na realidade cultural do planeta

Por André César – DF

Ilha de Wight (entre 1968 e 1970) – esses foram os três principais anos do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra.

Tocaram lá figuras como Bob Dylan (seu primeiro show após um grave acidente de moto), Miles Davis e The Doors, em um ambiente fortemente politizado, em especial com a escalada da Guerra do Vietnã e a Guerra Fria.

Até Gilberto Gil chegou a se apresentar.

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O Parlamento Britânico tentou limitar o alcance do festival, (felizmente) sem sucesso.

Woodstock (1969) – talvez o mais famoso dos festivais da história, aconteceu em uma fazenda em Bethel, Nova York, em agosto de 1969. É clássico o lema “três dias de paz e música”, em um momento difícil para o planeta.

Marco da contracultura, o evento recebeu mais de 400 mil pessoas, o que obrigou a organização a abrir os portões de graça.

O grande momento foi a apresentação de Jimi Hendrix na manhã de segunda-feira para um público já reduzido, em meio a muita lama, para tocar “Star spangled banner”, o hino norte-americano, em uma versão cheia de alusões à Guerra do Vietnã.

O documentário “Woodstock” ganhou o Oscar de melhor documentário em 1970.

Altamont (1969) – sem receber convite para tocar em Woodstock, os Rolling Stones promoveram o próprio festival em Altamont, norte da Califórnia. Com cerca de 300 mil pessoas na plateia, o evento foi marcado pelo caos total.

Com a “segurança” a cargo dos Hell Angels, episódios de violência explodiram em todo lugar, com quatro mortes registradas – inclusive a de Meredith Hunter, que supostamente apontou uma arma para Mick Jagger e foi atingido por um Angel.

Ao final, acuados, os Stones abandonaram o palco e fugiram de helicóptero.

A data do show, 6 de dezembro, foi considerada “o pior dia da história do rock” – e levou à profissionalização dos grandes concertos.

Concert for Bangladesh (1971) – promovido pelo ex-beatle George Harrison, esse par de shows no Madison Square Garden, em Nova York, marca o início da era dos grandes eventos beneficentes.

O contexto era claro – arrecadar fundos para os refugiados do Paquistão Oriental (depois Bangladesh), país que enfrentava uma guerra civil e os efeitos de um furacão devastador.

Ligado à cultura oriental, Harrison se uniu ao sitarista Ravi Shankar e a nomes como Bob Dylan e Eric Clapton, em um concerto que gerou um aclamado filme e um belo álbum triplo.

Música rock Phil Collins Misto Brasil
Phil Collins se apresentou nas duas edições do Live Aid/Arquivo/Alpha FM

Concert for the people of Kampuchea (1979) – outro show beneficente, realizado em Londres em dezembro de 1979 e organizado por Paul McCartney e pela secretaria-geral da ONU, teve como objetivo ajudar a população do Camboja, que foi reduzida à metade (!!) entre 1975 e 1979 por conta de guerra, fome e doenças – ecos do tirano Pol Pot, que comandou o país por anos. Tocaram no evento, entre outros, Queen, The Who e The Clash.

Live Aid (1985)/Live 8 (2005)/Live Earth (2007) – a trinca dos “Live” marcou gerações e, em sua primeira edição, foi transmitida ao vivo para mais de 150 países. Organizado por Bob Geldof, apresentou um novo modelo de shows – em 1985, foram dois simultâneos, em Londres e na Filadélfia, com o objetivo de ajudar a famélica população da Etiópia.

O detalhe curioso foi a participação do baterista Phil Collins – ele se apresentou primeiramente na Inglaterra e, a seguir, embarcou em um Concorde para tocar nos Estados Unidos. As duas edições subsequentes foram ampliadas, sendo que o Live Earth (em defesa do meio ambiente) teve o Rio de Janeiro como um dos palcos.

Farm Aid (a partir de 1985) – organizado pelo icônico cantor country Willie Nelson, trata-se de um festival realizado com o objetivo de apoiar agricultores familiares e promover um sistema agrícola mais sustentável.

A organização sempre foi impecável, com a arrecadação de recursos para o pagamento de dívidas e buscar assistência em tempos de crise. Há inclusive linhas diretas para conectar agricultores a serviços.

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