Fusão da BRF e Marfrig foi aprovada por unanimidade pelo Cade. O tribunal ainda precisava avaliar o recurso da Minerva
Por Misto Brasil – DF
O Tribunal Administrativo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a fusão entre BRF e Marfrig, em sessão remota realizada nesta sexta-feira (05).
A aprovação que ocorreu por unanimidade e sem restrições (sem os chamados remédios ao ato de concentração), de acordo com nota do InfoMoney.
O conselheiro Carlos Jacques – que havia pedido vistas do processo em 20 de agosto – liberou seu voto na última sessão ordinária, e foi convocada sessão extraordinária nesta sexta para a conclusão do julgamento.
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A transação faz parte de um processo iniciado em 2021, quando a Marfrig começou a adquirir participação na BRF.
Com a aprovação dos acionistas, o plano ganha força e avança rumo à criação de uma nova companhia de escala global no setor de proteína animal e alimentos processados, a MBRF Global Foods Company. Como resultado, a BRF se tornará subsidiária integral da Marfrig, que seguirá listada no Novo Mercado da B3.
A nova companhia será uma das maiores do setor de alimentos do mundo, com presença em 117 países, faturamento anual de R$ 152 bilhões.
Tem um portfólio de mais de 37 marcas líderes no segmento de proteínas e processados, como Sadia, Perdigão e Bassi. A MBRF terá ainda mais de 130 mil colaboradores e capacidade produtiva de cerca de 8 milhões de toneladas por ano.
Com a apresentação do voto que faltava, foi declarado o resultado, com a aprovação da operação, sem restrições.
A urgência dessa votação se devia ao fato de que se encerra nesta sexta o prazo para o exercício do direito de recesso (opção de receber um valor em dinheiro pela sua participação na empresa) por parte dos acionistas dissidentes, contado a partir da publicação da ata da reunião.
Encerrada essa parte, surge a MBRF Global Foods Company.
O presidente interino do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, que também relata o caso, votou pela aprovação da operação, nos termos da análise feita pela Superintendência-Geral, a área técnica do órgão.
Segundo o voto de Gustavo Augusto, a Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic) – fundo da Arábia Saudita controlado pelo fundo soberano do país – e sua subsidiária SIIC não estão autorizadas a exercer qualquer direito político, em qualquer grau, na empresa resultante da operação.
A operação foi aprovada sem restrições em junho deste ano pela Superintendência Geral do Cade, mas o Tribunal ainda precisava avaliar o recurso da Minerva, que entrou como terceira interessada, alegando alteração na estrutura de governança da BRF.


