As organizações criminosas colocam as minas em estradas rurais para impedir que comboios inimigos ou militares avancem
Por Misto Brasil – DF
Longe dos centros urbanos, minas antipessoais têm feito cada vez mais vítimas em áreas rurais do México. Os explosivos ganharam importância recente na corrida armamentista do narcotráfico e passaram a ser empregados para demarcar territórios em regiões disputadas por cartéis rivais.
Na Colômbia, o uso de minas terrestres é um fenômeno antigo. Em 2023, as autoridades nacionais registraram 895 incidentes com esses artefatos, o dobro do ano anterior, de acordo com o Monitor de Minas Terrestres, da Campanha Internacional para a Proibição de Minas Antipessoais.
Os casos são atribuídos principalmente a grupos armados ilegais, como as dissidências das Farc.
No México, por outro lado, o emprego de artefatos explosivos improvisados por criminosos se tornou mais comum nos últimos anos, diz Victoria Dittmar, pesquisadora do centro de análise InSight Crime.
“Embora sejam utilizados há anos, desde 2022 aumentou significativamente o número de apreensões de bombas caseiras, explosivos acoplados a drones, artefatos detonados à distância e minas antipessoais”, disse.
O uso, armazenamento e produção destes artefatos são proibidos pelo Tratado sobre a Proibição de Minas Antipessoais inclusive em contexto de guerra. 164 países são signatários do acordo.
O uso dessas bombas enterradas no solo, que explodem ao serem pisadas, se concentra em duas regiões do país: o estado de Tamaulipas e a fronteira entre os estados de Jalisco e Michoacán, indica Víctor Sánchez Valdés, pesquisador da Universidade Autônoma de Coahuila (UAdeC).
Em entrevista à DW, o acadêmico mexicano explica que, em uma frente, duas facções do Cartel do Golfo disputam o norte de Tamaulipas. Na outra, a região de fronteira entre Jalisco e Michoacán transformou-se em campo de batalha entre o Cartel Jalisco Nueva Generación e os Cartéis Unidos.
As organizações criminosas colocam as minas em estradas rurais para impedir que comboios inimigos ou militares avancem sobre os territórios que controlam. No entanto, multiplicam-se os casos de trabalhadores rurais feridos ou mortos ao pisarem nesses artefatos.
Embora o Cartel Jalisco Nueva Generación tenha introduzido no México o uso das minas antipessoais, seus adversários copiaram a estratégia, relata Sánchez.





















