Anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo secretário-geral da Assembleia do Nobel, Thomas Perlmann, em Estocolmo, na Suécia
Por Misto Brasil – DF
Os pesquisadores americanos Mary E. Brunkow e Fred Ramsdell e o japonês Shimon Sakaguchi venceram o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2025 por diferentes descobertas relacionadas à tolerância imunológica periférica, que impede o sistema imunológico de causar danos ao corpo.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (06) pelo secretário-geral da Assembleia do Nobel, Thomas Perlmann, em Estocolmo, na Suécia. Segundo a organização, os laureados identificaram o que chamaram de “guardas de segurança” do sistema imunológico, as células T reguladoras, um mecanismo que inibe as demais células imunológicas de atacarem o próprio corpo, como ocorre nas doenças autoimunes.
Todos os dias, o sistema imunológico protege o corpo de milhares de microrganismos diferentes. Muitos, porém, desenvolveram semelhanças com as células humanas como forma de camuflagem, explica a comitê do Prêmio Nobel. A pesquisa dos três cientistas identificou a forma como o sistema determina o que deve atacar e o que deve defender, abrindo as bases para um novo campo de pesquisa.
“Suas descobertas foram decisivas para nossa compreensão de como o sistema imunológico funciona e por que nem todos desenvolvemos doenças autoimunes graves”, afirmou Olle Kämpe, presidente do Comitê Nobel.
Nas décadas de 1980 e 1990, Shimon Sakaguchi desenvolveu uma série de estudos para entender como o corpo humano seria capaz de identificar organismos invasores.
O sistema imunológico possui mecanismos sobrepostos para detectar e combater bactérias, vírus e outros agentes nocivos. As células T são treinadas para identificar esses invasores. Se algumas delas saem do controle e passam a atingir tecidos do próprio corpo, elas devem ser eliminadas no timo, um processo chamado de tolerância central.
Contudo, Sakaguchi identificou uma forma adicional pela qual o corpo mantém o sistema sob controle, a tolerância imunológica periférica, desvendando um novo subtipo de células T, hoje chamados de linfócitos reguladores, ou Tregs.
A confirmação da existência das Tregs avançou em 2001, quando Brunkow e Ramsdell descobriram uma mutação causadora em um gene chamado Foxp3, que também desempenha um papel em uma rara doença autoimune.
Dois anos depois, Sakaguchi conectou as descobertas ao demonstrar que o gene Foxp3 controla o desenvolvimento dessas Tregs.
O reconhecimento deste tipo de atuação resultou em diversos avanços nos estudos do sistema imunológico, contribuindo inclusive para uma nova compreensão sobre o tratamento de doenças autoimunes e como o corpo reage a processos de inflamação ou infecção, informou a DW.
























