Houve uma parceria com a China e também se inaugurou um diálogo com a União Europeia, mas o ranço terceiro-mundista prevaleceu
Por Marcelo Rech – DF
Neste domingo, 9, realizou-se em Santa Marta, Colômbia, a IV Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), mecanismo impulsionado por Cuba, Brasil e Venezuela, para alijar das discussões regionais os EUA e o Canada, por um lado; e a Espanha e Portugal, por outro.
A Celac nasceu em 2011, em Caracas, com a pretensão de ser uma espécie de Organização dos Estados Americanos (OEA) sem a influência americana. Cuba havia sido readmitida na organização, mas preferiu manter-se fora e forjou a criação de um mecanismo que, além de excluir os EUA e o Canadá, também manteria distantes “os colonizadores”.
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Com o passar dos anos, o viés ideológico ganhou corpo e a Celac firmou parceria com a China, criando um diálogo político e econômico com o principal rival norte-americano. Também se inaugurou um diálogo com a União Europeia, mas o ranço terceiro-mundista prevaleceu e quase nada aconteceu.
Agora, a Celac volta a dar as caras numa cúpula fora de lugar, realizada às pressas, na Colômbia, para defender o regime autoritário de Nicolás Maduro, na Venezuela. Acossado com uma força naval americana nas suas costas, Maduro moveu as peças do Foro de São Paulo e conseguiu forçar uma discussão regional sobre intervencionismo americano.
Os EUA têm intervindo principalmente no Caribe, contra embarcações utilizadas pelo crime organizado para o narcotráfico. É legítimo questionar se tais ações são devidas ou indevidas, mas chama a atenção o esforço hercúleo em defesa de um regime notoriamente vinculado ao tráfico internacional de drogas.
Importante destacar que as operações norte-americanas, tiveram início após o ex-chefe da Inteligência Militar de Hugo Chávez, o ex-general Hugo Carvajal, ter fechado um acordo de delação premiada com a Justiça dos EUA. Consta que o militar entregou farto material comprobatório dos vínculos venezuelanos com o crime organizado, incluindo o financiamento ilegal de campanhas políticas em toda a região.
No entanto, apenas 9 de 27 chefes de Estado dos países da Celac, compareceram ao encontro, o que mostra que a divisão ideológica e de princípios é bastante expressiva. Como a Celac não é um mecanismo institucional baseado em tratado constitutivo, suas decisões não são mandatórias.
Restaria, portanto, o gesto simbólico de suas declarações, mas nem isso tem relevância neste momento. Os EUA sabem que precisam agir contra o crime organizado porque os governos locais não o fazem. Os Estados não atuam e a maioria está infiltrada pelas organizações até suas cúpulas.
Talvez, a melhor resposta à ingerência americana seja o abandono da retórica com a adoção de medidas concretas de combate ao crime organizado e ao narcotráfico, mazelas que impedem que América Latina deslanche. Ao contrário do que pregam alguns líderes regionais, a região há muitos anos deixou de ser uma zona de paz.
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