Mesmo sendo um grande marco da previdência social, usuários ainda relatam dificuldades no manuseio do aplicativo do governo

Por Pedro Borges e Artur Monteiro
Criado em 2017, o aplicativo Meu INSS foi desenvolvido para ampliar o acesso aos serviços da Previdência Social sem a necessidade de comparecimento presencial às agências.
A plataforma permite que segurados e beneficiários consultem o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), emitam extratos e declarações, agendem atendimentos, solicitem e acompanhem pedidos de benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e pensão por morte.
O acesso é feito pelo pelo aplicativo disponível para Android e IOS. Para usá-lo, o cidadão deve realizar um cadastro informando dados pessoais e responder perguntas de segurança para validação da identidade.
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Para utilizar o aplicativo, é necessário ter uma conta no gov.br. O cadastro pode ser feito diretamente no app, informando CPF, nome completo, data de nascimento e e-mail. Após o registro, o usuário deve criar uma senha e confirmar o acesso por meio do e-mail ou celular.
Com o login concluído, o cidadão tem acesso a mais de 90 serviços. Entre eles estão a consulta de extrato de contribuições, o agendamento de perícias, o pedido de aposentadoria e a emissão de comprovantes de rendimentos. Também é possível acompanhar o andamento de solicitações e verificar comunicados do INSS em tempo real.
O menu principal apresenta as funções mais utilizadas, como “Meus Benefícios”, “Agendamentos/Solicitações” e “Extrato de Pagamento”.
Ao selecionar um serviço, o sistema exibe as orientações necessárias e os documentos exigidos. As atualizações e respostas às solicitações ficam disponíveis na aba “Histórico de Atendimento”.
O aplicativo envia notificações quando há movimentações no processo ou liberação de pagamentos. Além disso, permite o envio de documentos digitalizados, dispensando o comparecimento presencial na maioria dos casos.
Desde seu lançamento, o Meu INSS tem gerado impactos na rotina de advogados, segurados e familiares que auxiliam no uso da ferramenta. Ao mesmo tempo, relatos de instabilidade, dificuldades de navegação e exclusão digital ainda marcam a experiência de muitos usuários.
Os Impactos do aplicativo
A advogada Fernanda Fortes, especialista em Direito Previdenciário, reconhece que o aplicativo trouxe ganhos significativos em agilidade e transparência. “O simples fato de o segurado conseguir realizar os procedimentos 24 horas por dia, online, sem comparecimento presencial às agências, já é um grande facilitador”, afirma.
Segundo ela, o sistema representa uma mudança estrutural em comparação ao processo físico. “Antigamente todo o processo era físico, e o beneficiário precisava comparecer à agência para fazer o pedido, acompanhar o processo e apresentar documentos. Isso gerava custos, filas e longos tempos de espera, mesmo para serviços básicos, como o acesso ao CNIS”, explica.
Hoje, o segurado pode acessar extratos e acompanhar a tramitação em tempo real. “Quando o INSS conclui o processo, ele já está integralmente disponível para consulta no mesmo momento, o que representa um avanço em termos de transparência”, completa.
A advogada também destaca que a digitalização reduziu a perda de documentos e facilitou a comunicação entre o cidadão e o órgão. “Antes, o segurado muitas vezes precisava comparecer mais de uma vez à agência para entregar o mesmo documento. Agora, isso é resolvido com o envio digital”, diz.

Judicialização e riscos
Apesar dos avanços, Fernanda alerta que a facilidade de acesso pode gerar novos riscos. “Nem sempre é recomendável que o segurado faça os pedidos sem acompanhamento profissional, pois as leis e o regramento interno do INSS ainda são bastante complexos, e essa falta de informação pode prejudicar muito o segurado”, ressalta.
A transição para o meio digital também transformou o trabalho dos advogados previdenciaristas.
“Hoje conseguimos unir o conhecimento técnico com a agilidade das novas tecnologias. Existe um acordo de cooperação entre a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o INSS, que facilita o acesso dos advogados aos processos”, afirma.
Ainda assim, há limitações. “Esse acesso ainda é incompleto. Não conseguimos consultar informações básicas como o histórico completo do segurado, cópias de processos antigos ou extratos de pagamento. Isso nos obriga a depender muito da relação de confiança com o cliente”, relata.
Fernanda também aponta que falhas técnicas podem prejudicar prazos e atendimentos. “A constante queda no sistema causa prejuízos, pois torna os prazos mais curtos e dificulta o acesso rápido às informações. Ainda assim, em comparação com o modelo antigo, é inegável o avanço em agilidade e transparência”, avalia.
Os problemas de conectividade e o baixo domínio tecnológico ainda são obstáculos. “Ainda existem muitos desafios, não só com idosos. O país é muito plural, e há regiões com conexão precária. Muitas pessoas não conseguem acessar o aplicativo ou identificar o que precisam de forma simples”, diz a advogada.
Ela cita ainda falhas em mecanismos de segurança e autenticação. “É comum que o segurado não consiga refazer a senha do gov.br por ter perdido o e-mail ou o telefone cadastrado. Há falhas na leitura facial, especialmente em celulares com baixa resolução e em locais com conexão ruim.
Quando a pessoa tenta resolver nas agências, muitas vezes sai apenas com um informativo explicando o que já tentou fazer”, relata.
Entre os serviços oferecidos, Fernanda destaca o acesso ao CNIS e ao extrato de pagamento de benefícios como fundamentais.
“O CNIS é o documento base para o segurado entender seu histórico de contribuições e quando poderá se aposentar. Já o extrato de pagamento é essencial para verificar se há descontos indevidos e corrigir rapidamente qualquer irregularidade”, orienta.
Para quem enfrenta problemas ou teve um benefício negado, ela recomenda buscar ajuda profissional. “O segurado pode até conseguir fazer o processo sozinho, mas isso não significa que será feito da melhor forma. Iniciar um pedido errado pode custar anos de benefício. A orientação técnica é essencial”, reforça.
O INSS, por sua vez, mantém canais de atendimento presencial e o número 135 para orientações diretas com servidores.
Apesar das falhas, a advogada avalia que o aplicativo cumpre um papel essencial no acesso aos direitos previdenciários. “A principal importância do Meu INSS é a agilidade e a facilidade de acesso à informação. Embora o serviço não seja perfeito, ele facilitou muito o andamento dos processos e deu mais autonomia ao segurado”, conclui.
O caso de Nayara Ramos, empregada doméstica de 32 anos, ilustra a realidade de quem utiliza o aplicativo para familiares. “Sou responsável por usar o aplicativo do meu pai, por ele ser idoso e analfabeto. Ele não tem conhecimento em muitas coisas, então sou eu quem faz tudo por ele”, conta.
Segundo Nayara, o app “trava com frequência e chega a ficar dias sem funcionar”.
Situações como a de Nayara mostram que, mesmo com avanços, o acesso digital ainda não é universal. Como aponta Fernanda Fortes, “o desafio agora é garantir que a tecnologia, além de ampliar direitos, seja realmente acessível para todos”.
Perguntas frequentes no Guia do Meu INSS
Quando o trabalhador perde a sua capacidade de trabalho?
Quais são os benefícios da Previdência Social?
Quem está na categoria contribuinte individual?
Quem está na categoria segurado facultativo?
Quem está na categoria empregado doméstico?
Quem está na categoria segurado especial?
O que é aposentadoria especial?
O que é aposentadoria por idade?
O que é aposentadoria por invalidez?
O que é aposentadoria por tempo de contribuição?
O que é Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC-LOAS)?


