Previdência complementar cresce como alternativa ao INSS

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A previdência privada tem crescido especialmente depois da reforma da previdência geral/Arquivo/Canva
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Desde a reforma da previdência, os planos privados avançam entre os brasileiros e atingem um patrimônio de R$ 3 trilhões em 2025

Por: Ayumi Watanabe, Júlia Lopes e Maria Beatriz Giusti – DF

A procura por planos privados cresceu consideravelmente desde a mais recente reforma da Previdência Social, em 2019. A exigência de idade mínima e o aumento do tempo de contribuição para se aposentar pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) impulsionou o crescimento de contratos de planos complementares.

Segundo a Fenaprevi, entre 2023 e 2024, os aportes de brasileiros em previdências privadas subiram 15,4%, atingindo R$ 176,5 bilhões, o maior número desde o início da série histórica, em 2019. 

Atualmente, cerca de 15 milhões de pessoas contribuem em previdências complementares, segundo o Valor Econômico. 

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A previdência privada divide-se em duas categorias principais: a fechada oferecida por empresas a seus funcionários, como Petros, Previ, ou fundos estatais e a aberta, disponível em bancos e instituições financeiras para o público geral, como o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o plano Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), supervisionados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). 

No primeiro trimestre de 2025, o setor de previdência privada acumulou um patrimônio de R$ 3 trilhões, o equivalente a 25% do PIB do país. A Fenaprevi mostra que, entre janeiro e julho de 2025, a maior arrecadação (92%) do setor da previdência aberta se deu pela modalidade VGBL, com cerca de R$ 92,1 bilhões.

O restante se dividiu entre os planos PGBL (7%), equivalente a R$ 6,7 bilhões, e em planos tradicionais (2%), com R$ 1,6 bilhões. 

Já as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), ou seja, os fundos de pensão de empresas e instituições, tiveram um rendimento de 167,8%, entre 2015 e setembro de 2024. 

No último ano, foram pagos cerca de R$ 102,4 bilhões a aproximadamente 957 mil aposentados e beneficiários. Esses benefícios incluem tanto benefícios de prestação continuada, como aposentadorias mensais, quanto de prestação única, como saques integral do valor acumulado.

Desse total, R$ 97,3 bilhões (95%) vieram da EFPC e os outros R$ 5,1 bilhões (5%) foram pagos pelos planos abertos. 

O economista César Bergo explica que os fundos abertos e fechados permitem que o trabalhador monte uma reserva própria e planeje o padrão de renda que quer manter no futuro. Em casos de emergência, questões de saúde e precisar do dinheiro.

“Esse valor que você contribui para a previdência, você pode colocar como uma emergência. Porque é uma poupança que você está fazendo para o futuro. Mas tem que ter disciplina de não resgatar antes do tempo”.

O benefício pago pelo INSS costuma representar uma renda menor que o salário recebido na ativa. Bergo explica que, embora o sistema público ofereça segurança e baixo custo, a renda na aposentadoria dificilmente acompanha o padrão de vida do trabalhador, o que leva muitos brasileiros a buscar outras alternativas.

Previdência privada Mãe e filha Misto Brasília
A previdência privada tem crescimento no DF e no país/Arquivo/Divulgação

Previdência Social e previdência fechada

A Previdência Social garante uma renda vitalícia, ou seja, o beneficiário recebe enquanto viver. Na privada, o saldo depende do que foi acumulado e da rentabilidade do fundo.

A advogada tributarista Roberta Dutra destaca que a Previdência Social está sujeita às mudanças de regras. Isso gera insegurança, já que o trabalhador pode contribuir por décadas sem saber exatamente quanto vai receber. É o que leva muitos brasileiros a dividir as apostas entre o sistema público e a previdência complementar.

Esse é o caso da administradora Vilma Vieira, 50 anos, que tem um plano de previdência fechado. “A minha empresa contribui com R$ 1.556 e eu contribuo com R$ 2.776. O benefício do INSS é muito baixo, R$ 8.000 como teto”.

“Então, eu tenho uma renda complementar, que vai ajudar a manter o padrão de vida que eu tenho hoje. Viver com qualidade, poder viajar, poder fazer as coisas que eu faço hoje, tendo essa garantia de que eu vou ter dinheiro para pagar lá na frente”.

Roberta diz que a desconfiança em relação à Previdência Social tem crescido justamente pela falta de estabilidade do sistema. “As regras são definidas pelo governo e podem mudar a qualquer momento”.

Segundo ela, muitos aposentados acabam perdendo poder de compra ao longo dos anos, já que o valor do benefício não acompanha o reajuste do salário mínimo.

“Tem gente que começou recebendo o equivalente a cinco salários e hoje ganha dois. Isso desmotiva quem contribuiu a vida toda e agora sente que recebe uma mixaria.”

A advogada destaca ainda que o envelhecimento da população e a redução no número de contribuintes colocam pressão sobre o sistema.

“Vai chegar uma hora que a conta não vai fechar”. Por isso, ela avalia que cada vez mais brasileiros têm buscado a previdência privada, mas que essa forma deve ser sempre vista como uma forma complementar, e não como substituta da previdência social.

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