O presidente da Câmara dos Deputados citou Ulysses Guimarães na sua posse, mas os seus atos são considerados antidemocráticos
Por Genésio Araújo Júnior – DF
Na política, o certo pode virar o errado, e o errado pode virar o certo por um passo de mágica.
O chefe da Câmara, Hugo Mota, decidiu por diversas votações neste final de ano, entre elas a cassação do mandato do combativo deputado Glauber Braga, do PSol do Rio, que peitou o Centrão e a Artulira por quatro anos.
Braga era um cabra marcado para a morte política ao cometer um erro.
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Ele estava na mesa diretora da Câmara na tarde de ontem. Mota ficou com receio que ele, numa ação de desespero, ocupasse seu lugar e impedisse que ele fizesse as votações do dia. Mota, a partir daí, transformou o certo no errado.
Pior, no seu maior erro político. Ele mandou tirar Braga à força da Mesa Diretora, coisa que não o fez, quando o deputado de direita, em motim, impediram que ele assumisse o comando da Câmara em agosto.
Em seguida veio o erro fatal, que transformou o homem que começou o mandato citando Ulysses Guimarães no monstro antidemocrático.
Ele determinou que a imprensa não pudesse fazer os registros, fechou o plenário e mandou cortar o sinal da TV Câmara. Mota cometeu uma série de crimes de responsabilidade. (1:24) Mota entrou para a história pela porta dos fundos.
A última vez que o congresso foi fechado para a imprensa (1:32) foi em 1º de abril de 1977, no pacote de abril do ditador Ernesto Geisel.


