América Latina se inclina cada vez mais para a direita

Chile José Antonio Kast presidente eleito Misto Brasil
José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile com boa vantagem sobre a sua adversária/X/Divulgação
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O cientista político chileno Roviro Kaltwasser ressalva, que os novos governos de ultradireita precisam apresentar resultados

Por Misto Brasil – DF

Toda a América Latina se inclina cada vez mais para a direita: na Bolívia, o democrata-cristão Rodrigo Paz pôs fim a 20 anos de um governo socialista moldado pelo primeiro presidente indígena do país, Evo Morales.

No Equador, o populista de direita Daniel Noboa tenta apagar a memória da “revolução cidadã” do ex-presidente Rafael Correa.

Leia: José Antonio Kast é o novo presidente do Chile

E a esquerda também foi severamente punida em Honduras: numa eleição presidencial marcada pelas denúncias de fraude , o candidato de direita Nasry Asfura, apoiado por Trump, lidera a apuração.

O cientista político chileno Roviro Kaltwasser ressalva, porém, que o pêndulo pode oscilar no sentido oposto: os novos governos de ultradireita precisam apresentar resultados igualmente expressivos.

Se a esquerda quiser voltar ao poder na América Latina, deve se mirar no Brasil, que mostrou ao mundo a força de suas instituições democráticas, diz.

“Essas instituições funcionaram quando o ex-presidente Bolsonaro se recusou a aceitar os resultados das eleições e tentou dar um golpe de Estado, pelo qual foi condenado a 27 anos de prisão. E aqui se vê a diferença em relação aos EUA, onde um desenvolvimento semelhante ocorreu com Trump.

“O Brasil demonstrou sua força institucional, enquanto os Estados Unidos mostraram fragilidade.”

O sociólogo argentino Pablo Semán destaca, porém, algumas diferenças entre os novos nomes da ultradireita na América Latina, como José Antonbio Kast, no Chile, Javier Milei, na Argentina, e o o “ditador mais cool do mundo”, como o presidente autoritário de El Salvador , Nayib Bukele , ironicamente denomina a si mesmo.

“Apesar de todos estarem bem à direita, cada um enfatizou questões políticas e econômicas diferentes em suas campanhas. Kast focou inteiramente na imigração, Nayib Bukele, presidente de El Salvador, na segurança e Milei conquistou votos com a inflação”, observa Semán.

Um ponto em comum é o grande sucesso entre os eleitores jovens. “Esta geração tem certeza de que sua vida será pior do que as de seus pais. E a esquerda não tem respostas para isso”, conforme registrou a Agência DW.

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