A triste decadência da economia de Cuba

Cuba desfile
Cubanos passam dificuldades e as autoridades locais reprimem a população/Arquivo/Vermelho
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Mais de 2,7 milhões de pessoas — cerca de um quarto da população da ilha, a maioria jovens e ambiciosos — fugiram desde 2020, a maior parte para os EUA

Por Misto Brasil – DF

Idosos cubanos vasculham o lixo em busca de restos de comida em Havana. Na segunda maior cidade do país, Santiago, multidões se reúnem, tocando músicas de exilados cubanos, como Gloria Estefan e Willy Chirino, que canta “Nosso dia chegará em breve”, descreve a reportagem de Débrora Acosta, do Wal Street Journal.

Cuba está em uma crise econômica perpétua, que se intensificou desde a pandemia de Covid-19.

Mais de 2,7 milhões de pessoas — cerca de um quarto da população da ilha, a maioria jovens e ambiciosos — fugiram desde 2020, a maior parte para os EUA.

É um “esvaziamento demográfico”, disse o demógrafo cubano Juan Carlos Albizu-Campos. Ele estima que a população de Cuba seja agora de oito milhões.

A destituição do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA abalou este país de menos de 10 milhões de pessoas, que há muito depende do petróleo venezuelano para manter sua pequena economia funcionando.

Isso abre um novo e perigoso capítulo para o regime comunista da ilha, durante um colapso econômico que já rivaliza com a crise sofrida por Cuba após o colapso da União Soviética, há mais de três décadas.

Nas cidades mais pobres, as pessoas especulam abertamente sobre se os EUA derrubarão o governo do presidente cubano Miguel Díaz-Canel, sucessor de Raúl e Fidel Castro, os irmãos que lideraram a Revolução Cubana em 1959, causando ondas de choque por toda a América Latina.

“Eles estão nervosos”, disse Manuel Cuesta Morúa, ativista político baseado em Havana, sobre o governo. “A repressão vai aumentar, é a resposta típica.”

A reportagem explica que o aparato de segurança estatal de Cuba sempre manteve um controle rígido sobre todos os níveis da sociedade, desde locais de trabalho até escolas e casas de show.

Mas a captura de Maduro ameaça desestabilizar o controle do governo sobre cada rua, seu profundo sistema de vigilância e sua vasta rede de informantes, dizem dissidentes cubanos e ex-funcionários.

Dois dias após a destituição de Maduro, Reynaldo Flores enfrentava seu quinto dia consecutivo sem água corrente em seu apartamento em Havana.

Essa é sua nova realidade, junto com os apagões diários, o sistema de saúde falho, o lixo acumulado nas ruas e as dores nas articulações causadas por doenças transmitidas por mosquitos que assolam a ilha.

“Seis, sete, dez dias passam sem água”, disse Flores, 66 anos. “Quando a água volta, não há eletricidade para bombeá-la.”

Recentemente, ele disse que houve um dia em que simultaneamente não tinha eletricidade, água corrente nem gás para cozinhar.

Como todos os cubanos, Flores economiza água em um tanque, racionando para beber, cozinhar, lavar e tomar banho. Quando acaba, ele pula de um telhado para outro para coletar baldes de água de cisternas próximas.

Cupa mapa da região do Caribe Misto Brasil
Cuba Political Map with capital Havana, national borders, most important cities and rivers. English labeling and scaling. Illustration.

A dependência de outros países

Ele se preocupa principalmente com os idosos que procuram comida no lixo. Quando contraem um vírus, vão a hospitais sobrecarregados para morrer. Tudo isso sem contar o calor sufocante.

Muitos cubanos dependem das remessas de familiares no exterior. O Estado depende de bilhões de dólares arrecadados com milhares de médicos cubanos trabalhando na Venezuela, México e outros países, e das importações subsidiadas de petróleo venezuelano para manter a luz ligada.

Mas agora o fornecimento de petróleo venezuelano pode ser cortado pelos EUA.

Cuba não tem dinheiro para comprar petróleo no mercado internacional e só pode esperar que países amigos, como Angola, Argélia, Brasil ou Colômbia, compensem a falta caso a Venezuela, sob pressão dos EUA, interrompa seus envios, disse Jorge R. Piñon, que acompanha o consumo de energia em Cuba na Universidade do Texas.

A Venezuela fornecia cerca de 35 mil barris de petróleo por dia dos aproximadamente 100 mil barris diários que a ilha precisa.

Cuba produz cerca de 40 mil barris por dia de petróleo pesado, carregado de enxofre e metais, que alimenta suas usinas de energia decadentes.

O México, que enviou cerca de 22 mil barris por dia no ano passado, reduziu os envios para cerca de 7 mil, enquanto a Rússia envia cerca de 10 mil barris diários, disse ele.

Sem petróleo, há risco de que os apagões rotativos, que às vezes deixam os residentes da ilha com apenas quatro horas de eletricidade por dia, piorem.

Aqueles que dependem de geradores terão dificuldade em operá-los sem acesso ao combustível. Até cozinhar será complicado, já que alguns moradores recorreram a fogões movidos a petróleo.

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