Trump: do bolsonarismo ao lulismo em um ano

Encontro Lula da Silva e Donald Trump Malásia Misto Brasil
Donald Trump e Lula da Silva se encontraram na Malásia/Arquivo/Divulgação/PR
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O republicano começou a gestão atual, em 20 de janeiro de 2025, afirmando que não “precisava do Brasil” e criticou a cúpula do Brics

Por Misto Brasil – DF

Do tarifaço ao convite para debater a paz no Oriente Médio, o primeiro ano do segundo mandato do presidente Donald Trump à frente dos Estados Unidos foi quase do inferno ao céu na relação diplomática com o governo brasileiro.

O republicano começou a gestão atual, em 20 de janeiro de 2025, afirmando que não “precisava do Brasil” e criticou o Brics por um plano de moeda comum, escreveu Fábio Corrêa, da Agência DW.

Alinhado política e ideologicamente com o bolsonarismo, Trump saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso em Brasília, e ordenou, em julho, um tarifaço sem precedentes que abalou a parceria econômica de mais de dois séculos entre ambos os países.

As sobretaxas impostas pelos Estados Unidos chegaram a 40% e 50% sobre setores estratégicos da pauta de exportações brasileira, incluindo aço, carnes, produtos do agro e bens industriais. O governo americano justificou as tarifas alegando “emergência econômica” e acusando o Judiciário brasileiro de perseguir Bolsonaro.

Um dos filhos do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos EUA desde o início do ano, teria agido como interlocutor junto a representantes trumpistas para mobilizar a sobretaxação. O parlamentar agradeceu, nas redes sociais, ao presidente dos EUA pela imposição das medidas.

O tarifaço gerou baques econômicos. Em setembro de 2025, as exportações brasileiras para o mercado americano registraram uma queda de até 20% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Por outro lado, a sobretaxa também afetou os consumidores americanos, que viram os preços médios do café subir em mais de 40% nos primeiros nove meses do ano passado, de acordo com levantamento do Bureau of Labor Statistics.

Politicamente, foi em julho que as tensões entre Trump e o Brasil atingiram o ponto mais alto. Além das medidas tarifárias, o governo americano sancionou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Magnitsky, usada para punir unilateralmente supostos violadores de direitos humanos no exterior.

O ministro e seus familiares tiveram bens e ativos bloqueados e ficaram impedidos de utilizar cartões de crédito de bandeiras como Mastercard e Visa.

Mudança de rumo

Mas o jogo virou na reta final do ano. Em setembro, alguns dias após a condenação de Bolsonaro pelo STF, um rápido encontro com Lula da Silva nos corredores da sede da ONU em Nova York, sinalizou um reinício nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. “Gostei dele”, afirmou o presidente americano, durante um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, ao se referir ao petista, instantes depois de criticar o Brasil na mesma fala.

Uma reunião oficial entre os dois líderes ocorreu semanas depois, à margem de compromissos internacionais, e abriu caminho para negociações técnicas entre os ministérios da Fazenda e do Comércio dos dois países. Sob forte pressão de empresários americanos, preocupados com o impacto inflacionário das tarifas, a Casa Branca iniciou um recuo gradual.

Em novembro, a maior parte das sobretaxas impostas ao Brasil foi suspensa ou praticamente zerada, com ampliação de exceções para produtos como carne bovina, café, suco de laranja e aeronaves da Embraer.

“Estamos bem, não há por que ter divergência”, afirmou Lula da Silva em dezembro, após uma nova conversa telefônica com Trump.

Na ocasião, o presidente brasileiro destacou o contraste entre o discurso público e o trato pessoal do americano. “Temos o Trump da televisão e o da vida pessoal”, disse. Segundo ele, o republicano é bem mais afável pessoalmente.

O americano, por sua vez, se limitou a poucos comentários quando ficou sabendo que Bolsonaro havia sido preso, em 22 de novembro, por risco de fuga e violação de tornozeleira eletrônica. “É uma pena”, disse Trump, ao ser informado da prisão, que foi determinada por Moraes.

No fim do ano, a sanção ao ministro do STF pelo governo americano também foi revogada. Desde 12 de dezembro, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, estão fora da lista da Lei Magnitsky.

O fim dos bloqueios ao jurista foi, segundo Lula, um pedido dele ao colega americano, que tinha justificado a medida afirmando que Moraes autorizava prisões arbitrárias e agia contra a liberdade de expressão no Brasil.

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