Liquidação do Will Bank criou disputa comercial entre bancos

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Novas regras em vigor definem estratégias para combater fraudes/Arquivo/Frontliner
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Para bancos e fintechs, a oportunidade não é apenas “ganhar novos CPFs”, mas substituir, com rapidez, uma infraestrutura

Por Misto Brasil – DF

A liquidação extrajudicial do Will Bank, na última semana, deixou cerca de 12 milhões de clientes no vácuo. De uma hora para outra, eles ficaram sem acesso a serviços bancários básicos, como transferências, cartão e Pix.

O agravante é que, diferentemente do público investidor do Banco Master, seu controlador, o Will tinha uma base formada por consumidores que o sistema financeiro tradicional demorou a enxergar, como pessoas das classes C, D e E, que muitas vezes tinham ali sua primeira experiência de bancarização na vida.

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É justamente por isso que o episódio cria uma disputa comercial inédita no mercado.

Para bancos e fintechs, a oportunidade não é apenas “ganhar novos CPFs”, mas substituir, com rapidez, uma infraestrutura cotidiana de conta para receber e pagar, meio de pagamento e, principalmente, crédito para quem já dependia de limite e parcelamento.

Conforme especialistas ouvidos pelo InfoMoney, quem conseguir oferecer continuidade de serviços, com aderência simples e comunicação clara, tende a capturar uma fatia relevante dessa massa de “órfãos bancários”.

Na avaliação de Gustavo Cruz, CEO da datatech Mintech, especializada na coleta, tratamento de dados financeiros, o diferencial competitivo está em localizar com agilidade esses consumidores e abordá-los com ofertas compatíveis com seu perfil e momento financeiro.

Ele afirma que já é possível, com consultas autorizadas e análise de dados gerados pelo uso do próprio smartphone, identificar quem mantém ou mantinha relacionamento com o Will Bank e cruzar sinais de comportamento para orientar ações de aquisição e retenção.

“Na prática, isso acelera campanhas e reduz desperdício, porque em vez de falar com Brasil todo, instituições conseguiriam priorizar quem efetivamente ficou sem banco e precisa migrar”, diz.

Cruz observa ainda que parte do público pode enfrentar estresse de liquidez e de orçamento no curto prazo.

Isso porque as obrigações do dia a dia não desaparecem com a liquidação: parcelamentos, faturas e compromissos assumidos enquanto a instituição operava seguem existindo.

“Para concorrentes, o risco vira oportunidade. Um crédito bem calibrado, renegociação e produtos de transição podem evitar inadimplência e criar relacionamento no momento em que o cliente mais precisa.”

Ao mesmo tempo, a disputa por esses clientes não será “automática”, nem restrita às fintechs. Bruno Diniz, sócio da consultoria de negócios Spiralem e professor de inovação financeira da USP/Esalq, chama atenção para um efeito colateral relevante, o trauma.

Como muitos desses consumidores tinham baixa educação financeira e estavam em fase inicial de bancarização, passar por um processo de liquidação e ter de aguardar etapas burocráticas do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) pode gerar frustração e desconfiança generalizada com instituições digitais, mesmo quando o problema foi específico.

“Nesse cenário, parte do público pode buscar refúgio em marcas mais tradicionais, ainda que operando por aplicativo, o que amplia o leque de potenciais herdeiros para além das fintechs nativas digitais”, disse.

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