Aqueles que conseguem retornar vivos aos seus países, relatam uma experiência cruel. A maioria fazem movidos por dívidas a pagar
Por Marcelo Rech – DF
Desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, pelo menos 19 brasileiros morreram e outros 44 seguem desaparecidos. Todos se voluntariaram para lutar em troca de dinheiro, a maioria deles, sem qualquer experiência de combate.
Trata-se de uma realidade dura e que tende a se acentuar na medida em que a paz se mantém distante. São poucos os indicativos de que Rússia e Ucrânia possam firmar um acordo de paz sólido antes do próximo aniversário do conflito. Até lá, muitos outros mercenários morrerão do lado ucraniano.
Aqueles que conseguem retornar vivos aos seus países, relatam uma experiência cruel. Apesar de lutarem por um país que não é o seu, sofrem todo tipo de maus tratos e humilhações.
Os salários prometidos são retidos para evitar deserções, a qualidade dos uniformes, equipamentos, armas e material militar em geral, são bastante questionáveis e não guardam relação com a quantidade de dinheiro que os EUA e a Europa despejam em Kiev.
O perfil dos mercenários que aceitam lutar pela Ucrânia, varia pouco. A maioria dos latino-americanos o fazem movidos por dívidas a pagar, desejo de ajudar as famílias e, claro, a esperança de uma vida melhor.
Dentro da estrutura da Legião Internacional, formou-se o Batalhão Bolívar, unidade especial que abriga nacionais da Argentina, Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.
Além da estrutura pouco profissional, esses mercenários são enviados para áreas de combate mais difíceis e, após o cessar-fogo, nenhuma providência é tomada para evacuar os corpos dos falecidos. Há, também, inúmeras denúncias de famílias que nunca receberam os pagamentos prometidos.
Os latino-americanos aliciados para lutarem ao lado dos ucranianos, também têm pouca ou nenhuma compreensão acerca das diferentes nuances que envolvem a guerra.
Um dos principais elementos a serem compreendidos, diz respeito ao interesse em prolongar-se o conflito, pois não são poucos aqueles que estão enriquecendo às custas do sacrifício alheio.
























