Foi encontrada, portanto, uma saída honrosa para aliviar a pressão sobre o STF e também sobre a Procuradoria-Geral da República
Por Misto Brasil – DF
Os dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) assinaram uma nota que foi divulgada há pouco pela assessoria da Corte.
Veja nota abaixo. Texto atualizado âs20h39
Leia – Entenda o caso Master e as implicações no STF
Em resumo, os ministros declararam apoio ao ministro Dias Toffoli. Em contrapartida, o ministro vai deixar a relatoria do processo que envolve as investigações em torno do banco Master.
Um novo ministro será sorteado para dar prosseguimento ao caso do Master.
Foi encontrada, portanto, uma saída honrosa para aliviar a pressão sobre o STF e também sobre a Procuradoria-Geral da República, que teria que se manifestar sobre um pedido de suspeição feito pela Polícia Federal.
A nota do STF sobre Toffoli
Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeita, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecemos, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeita ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e PGR.
Registo, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submissão à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe a comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos importados sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais permitidas, para a extinção do AS e para o envio dos automóveis ao novo Relator.
Assinam:
Luiz Edson Fachin, Presidente
Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
Gilmar Mendes
Cármen Lúcia
Dias Toffoli
Luiz Fux
André Mendonça
Nunes Marques
Cristiano Zanin
Flávio Dino
Cronologia do caso Master e Toffoli
17/11/25: Vorcaro, Luiz Antonio Bull, então diretor de compliance do Master, e outras três pessoas são presas pela Polícia Federal na primeira fase da Operação Compliance Zero.
18/11/25: Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master.
28/11/25: Defesa de Vorcaro recorre para que o inquérito tramite no STF, sob o argumento de que havia uma menção ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que tem foro privilegiado. Caso cai sob a relatoria de Dias Toffoli.
29/11/25: Toffoli viaja num jatinho do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore, no qual também estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que defende Bull, para assistir à final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo em Lima, no Peru. No mesmo dia, Vorcaro e Bull são soltos por liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
02/12/25: Toffoli decreta um alto grau de sigilo sobre o caso do Banco Master em análise no STF.
03/12/25: Toffoli determina que todas as diligências da Operação Compliance Zero relacionadas ao Banco Master sejam remetidas a ele.
24/12/25: Toffoli marca uma acareação entre Vorcaro, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que havia manifestado interesse em comprar o Banco Master, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
Decisão provoca estranhamento no meio jurídico e no BC, já que acareações costumam ser propostas após a coleta de depoimentos, o que ainda não havia ocorrido, e por envolver um diretor do BC. Após a autarquia reclamar que Santos poderia ser colocado numa “armadilha processual”, Toffoli dispensa o diretor da acareação.
14/01/26: PF deflagra segunda fase da Operação Compliance Zero, prende Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e realiza buscas contra o empresário Nelson Tanure. Toffoli determina que todas as provas colhidas sejam lacradas e enviadas ao STF, algo incomum em operações do tipo. Após pedido da Procuradoria-Geral da República, ministro autoriza que as provas sejam encaminhadas ao Ministério Público.
16/01/26: Jornal O Estado de São Paulo publica reportagem afirmando que Zettel era o único dono dos fundos de investimento que compraram em 2021 parte da participação de dois irmãos e de um primo de Toffoli no resort Tayayá, no Paraná. Os fundos eram vinculados à gestora Reag, também liquidada pelo Banco Central.
22/01/26: Após a intensificação das críticas à relatoria de Toffoli, Fachin interrompe suas férias e divulga uma nota oficial em defesa da atuação do STF, da Polícia Federal e do Ministério Público no caso.
11/02/26: A Polícia Federal entrega um relatório sobre dados obtidos no celular de Volcaro a Fachin, com mensagens citando Toffoli.
12/02/26: Toffoli nega que tenha qualquer relação pessoal ou financeira com Vorcaro e admite que é sócio da Maridt, mas afirma que a parentes são responsáveis pela administração da empresa.























