Nova desconfiança no STF. Quem gravou a reunião?

STF ministro Dias Toffoli Misto Brasil
Dias Toffoli em sessão de votação no plenário do Supremo/Arquivo/Rosinei Coutinho/STF
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Jornalistas que conversaram com ministros ouviram que desconfiam de Dias Toffoli. Ele falou que nunca gravou uma reunião

Por Misto Brasil – DF

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ficaram indignados com o vazamento da reunião secreta que decidiu, na quinta-feira, pela saída de Dias Toffoli da relatoria das investigações do caso do Banco Master na Corte.

Um magistrado chegou a classificar a revelação das conversas reservadas como “coisa de moleque”.

Reportagem do site Poder360 reproduziu falas na íntegra atribuídas aos ministros do STF durante a reunião realizada na noite dessa quinta-feira.

Leia – STF dá apoio a Toffoli, que vai deixar o caso Master

Leia – Entenda o caso Master e as implicações no STF

Os diálogos publicados pelo portal mostram que sete ministros (Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques) estavam a favor da permanência de Toffoli à frente da relatoria do caso Master, enquanto outros dois (Cármen Lúcia e Edson Fachin) fizeram ressalvas.

Ao ser questionados pelo Globo, alguns ministros questionaram o conteúdo dos diálogos divulgados pelo Poder360. Um integrante do STF disse que há coisas “muito diferentes” nas conversas.

Outros magistrados passaram a criticar e a questionar Toffoli, que afirmou ao jornal Folha de São Paulo que não gravou a reunião. “Eu não gravo e não fico relatando conversa de ministros. Não relato conversas pessoais nem institucionais. Nunca gravei uma conversa na minha vida”, disse Toffoli.

De acordo com integrantes do STF, na reunião não havia auxiliares ou técnicos, mas somente os dez membros que atualmente compõem o tribunal. Ministros dizem que o vazamento agrava o ambiente de desunião que já estava sendo observado na Corte, com desconfianças internas e semelhante ao que havia antes da pandemia, quando os magistrados travavam disputas públicas.

O então ainda ministro relator do caso Master disse que olharia “nos olhos” de Fachin e declarou “não ter nada a temer” sobre negócios de si próprio ou de sua família –o ministro é natural de Marília (cidade paulista a 435 km a noroeste de São Paulo) e tem 9 irmãos.

Seu nome ganhou evidência pelo fato de um empreendimento no norte do Paraná, o hotel Resort Tayaya, ter tido em 2021 a participação de uma pessoa ligada a Daniel Vorcaro, fundador do Master e hoje investigado por ter cometido operações consideradas fraudulentas pelo Banco Central.

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