O crime aconteceu bem no meio da campanha. Falta menos de um mês para as eleições legislativas, em 8 de março
Por Misto Brasil – DF
Um sequestro ocorrido na terça-feira em uma estrada montanhosa no sudoeste da Colômbia serviu como um lembrete contundente de que, na Colômbia, ninguém está verdadeiramente seguro.
As vítimas foram a senadora indígena Aida Quilcué e sua equipe de segurança. Um grupo de homens armados interceptou o veículo em que estavam e os fez desaparecer por horas, conforme publicou o El País.
Todas as forças de segurança foram mobilizadas para encontrá-los. Eles reapareceram vivos.
Mas a mensagem já havia sido transmitida. Se uma senadora com guarda-costas pode ser apagada do mapa, mesmo que por algumas horas, que esperança resta para aqueles sem nome ou proteção?
Aconteceu bem no meio da campanha. Falta menos de um mês para as eleições legislativas, em 8 de março, e três meses para o primeiro turno da eleição presidencial.
Não é um incidente isolado. Na semana passada, guerrilheiros, com os rostos descobertos, metralharam o veículo da equipe de segurança de outro senador. Mataram-nos enquanto um deles filmava.
Descobriu-se que haviam passado por um posto de controle guerrilheiro; não havia sequer um plano contra o candidato, mas foi um lembrete de que grupos armados controlam grande parte do país. Esta semana, alguém incendiou outdoors de Juan Carlos Pinzón, um dos candidatos de direita à presidência.
Os dados confirmam essa sensação. Com a proximidade das eleições, 170 dos 1.100 municípios do país apresentam algum nível de risco eleitoral, segundo a Missão de Observação Eleitoral. Em 81 deles, incluindo a capital, Bogotá, o risco é extremo.
Controle armado do território. Violência direcionada contra líderes, jornalistas e candidatos. Confrontos abertos. Crises humanitárias que, na prática, excluem populações inteiras do processo democrático.
Num país ainda marcado pelo assassinato, no verão passado, do senador e candidato à presidência Miguel Uribe Turbay, o temor é de que a violência aumente. E, com ela, esse temor domine o discurso público.
O temor é de que o debate se torne restrito. E, nesse cenário, a esquerda, que governa e está dividida, parte em desvantagem.

























