É esperado que o preço do petróleo suba um pouco mais bruscamente na próxima semana como resultado do ataque dos EUA ao Irã
Por Misto Brasil – DF
Analistas de mercado já se preparam para turbulências após os EUA confirmarem o lançamento de “grandes operações de combate”, podendo levar a consequências muito maiores para o mercado do que a recente onda de tensões geopolíticas.
“Isso definitivamente tem ramificações maiores do que a Venezuela”, disse Florian Weidinger, co-diretor de investimentos da Santa Lucia Asset Management, para a CNBC.
“A Venezuela era… realmente relevante apenas para quem se importa com aquele petróleo bruto pesado específico”, complementou.
Assim, espera que o preço do petróleo suba um pouco mais bruscamente na próxima semana como resultado do ataque dos EUA ao Irã.
Alicia García-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico da Natixis, projeta uma abertura “turbulenta e com aversão ao risco” para os mercados globais na segunda-feira.
E com as ações globais potencialmente caindo de 1% a 2% ou mais, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA caindo e o petróleo subindo de 5% a 10%. Contudo, alerta ser preciso aguardar as consequências das respostas do Irã.
O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia, apesar das sanções internacionais em vigor. O país tornou-se mais hábil em contornar essas restrições, enviando cerca de 90% de suas exportações para a China.
As maiores reservas de petróleo estão localizadas em Ahvaz, Marun e no complexo de Karun Ocidental, todos na província de Khuzistão.
A localização do Irã é um pontos de grande atenção, uma vez que a preocupação global é por conta da manutenção da rota marítima pelo Estreito de Ormuz.
O estreito fica localizado entre o Irã e o Omã e tem de 55 a 95 km de largura, sendo por ele que se passa cerca de 20% do consumo global diário de petróleo e do fornecimento mundial de gás natural liquefeito.
Cerca de 13 milhões de barris de petróleo bruto por dia transitaram pelo Estreito em 2025, representando aproximadamente 31% do fluxo global de petróleo bruto transportado por via marítima, segundo dados da empresa de inteligência de mercado Kpler.
Conforme destaca Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, em eventos passados, a restrição ao estreito de Ormuz influenciou o aumento da inflação na Europa, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, impactando a perspectiva de cortes nas taxas de juros.
Cabe destacar que, em junho de 2025, quando Israel atacou instalações nucleares iranianas, o mercado teve um movimento de aversão a risco na abertura, recuperando-se em seguida, após a confirmação de que o estreito não havia sido bloqueado.
Em relatório às vésperas do conflito, o JPMorgan ressaltou que o Brasil aparece na análise como relativamente protegido de um choque energético internacional.
Segundo dados publicados pelo banco, o país se posiciona como exportador líquido de energia, com exportações equivalentes a 2,6% do PIB e importações de 1,6%.
Apesar disso, o relatório alerta que grande parte dos mercados emergentes não está preparada para um choque severo nos preços de energia, considerado um “risco de cauda”. Nesse contexto, o Brasil tende a ter impacto mais moderado, mas ainda pode sentir efeitos secundários, como aumento na volatilidade financeira global.





















