Quando esses riscos não são mapeados com antecedência, o problema deixa de ser apenas tributário e se transforma em risco operacional
Por Silvania Tognetti – SP
Grande parte das análises sobre a reforma tributária se concentra no impacto direto sobre a empresa. Mas um dos riscos mais relevantes, e frequentemente subestimado, está fora dos muros da organização, na sua cadeia de fornecedores.
A transição para o novo sistema exige uma leitura cuidadosa da estrutura de custos de parceiros estratégicos. Fornecedores que dependem fortemente de incentivos fiscais regionais ou setoriais podem ter sua viabilidade comprometida.
Outros já operam com margens extremamente apertadas e pouca capacidade financeira para absorver mudanças abruptas na carga tributária ou no fluxo de caixa.
Quando esses riscos não são mapeados com antecedência, o problema deixa de ser apenas tributário e se transforma em risco operacional.
A interrupção de fornecimento, a necessidade de substituição emergencial de parceiros ou a renegociação forçada de contratos pode gerar impacto direto em custos, prazos e qualidade.
Nesse cenário, áreas como compras, jurídico e planejamento precisam atuar de forma integrada. Não se trata apenas de renegociar preços, mas de entender a sustentabilidade dos fornecedores no novo ambiente tributário e de antecipar movimentos antes que a ruptura aconteça.
A reforma tributária não afeta apenas quem paga o imposto. Ela reorganiza toda a lógica de funcionamento da cadeia produtiva. Ignorar esse efeito indireto é assumir um risco que muitas empresas só perceberão quando já for tarde demais.
(Silvania Tognetti é professora do Inper e sócia fundadora do Tognetti Advocacia)






















