A PF diz que o caso será investigado, e que as provas colhidas serão entregues ao gabinete do ministro do Supremo, André Mendonça
Por Misto Brasil – DF
Apontado pela Polícia Federal (PF) como ajudante de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o investigado Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, preso nesta quarta-feira (04) no âmbito da Operação Compliance Zero, está internado em estado grave de saúde após atentar contra a própria vida.
A informação é da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, que se pronunciou sobre o caso apenas depois que passou a circular na imprensa a informação de que ele teria tido morte cerebral constatada pela equipe médica que o atendeu no Hospital João 23, em Belo Horizonte.
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De acordo com a PF, Mourão foi encontrado desacordado na cela da superintendência da corporação em Minas Gerais ainda na quarta-feira, mesmo dia em que foi preso por ordem do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os policiais tentaram reanimá-lo e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o encaminhou ao hospital.
Em nota, a defesa afirmou que esteve com Mourão até por volta das 14h, “quando ele se encontrava em plena integridade física e mental“. “A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal”, diz o texto, assinado por Robson Lucas e Vicente Salgueiro.
A PF diz que o caso será investigado, e que as provas colhidas serão entregues ao gabinete de Mendonça, relator do processo do caso Master no STF.
Segundo a corporação, Mourão “atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais”.
Ao portal de notícias g1, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse que “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”.
Os registros serão entregues a Mendonça, e uma investigação foi aberta sobre o ocorrido.
Quem é “Sicário”, ex-ajudante de Vorcaro
De acordo com as investigações da PF, Luiz Phillipi Mourão, de 43 anos, atuava como ajudante de Daniel Vorcaro, também preso nesta quarta no âmbito de uma investigação sobre crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master.
Vorcaro, que já havia sido detido por 11 dias em novembro, voltou a ser preso, desta vez sob suspeita de tentar obstruir as investigações.
Chamado pelo banqueiro de “Sicário” (matador de aluguel), Mourão seria o coordenador de uma estrutura informal denominada “A Turma”, responsável pela “execução das ações de vigilância, intimidação e obtenção de dados” de desafetos do empresário.
Os serviços da “turma” – que incluíam atos de intimidação de concorrentes, ex-empregados e jornalistas – seriam remunerados com R$ 1 milhão mensais, segundo a PF.
Em uma das mensagens que a PF afirma ter encontrado nos celulares dos investigados, Vorcaro pede a Mourão para “levantar tudo” sobre um funcionário, o instrui a “moer” outra funcionária a quem chamou de “vagabunda” e a “dar um sacode” em outra pessoa para “assustar”.
Outro alvo do grupo seria Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. “Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, escreve Vorcaro sobre Jardim.
“Vou fazer isto”, responde Mourão. Em nova troca de conversas, Vorcaro diz: “Esse Lauro, quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
Mourão, então, diz que está “em cima” para derrubar os “links negativos”. Sobre o indicativo de “dar um pau” no jornalista, Mourão pergunta: “Pode? Vou olhar isso…”. Segundo a investigação, Vorcaro responde que “sim”.
Após as mensagens virem à tona, o banqueiro disse em nota que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”. A defesa de Mourão também nega participação dele em crimes.
Acesso a bases de dados até do FBI
Segundo a PF, Mourão usava credenciais de terceiros para acessar indevidamente bases de dados da própria PF, do Ministério Público e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
As mensagens ainda indicam que o investigado atuava na articulação de medidas voltadas à remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais, simulando solicitações oficiais de órgãos públicos.
“Essa atuação envolvia o envio de comunicações institucionais ou documentos sem validação formal, com o objetivo de obter dados de usuários ou promover a retirada de conteúdos considerados prejudiciais aos interesses do grupo”, diz a decisão assinada por Mendonça.
Mourão já era conhecido das autoridades. Ele é réu por lavagem de dinheiro e organização criminosa em um processo sobre um esquema de pirâmide que funcionou entre 2018 e 2021. A denúncia contra ele foi apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais e aceita pela Justiça em 2021.
