Será o fim da educação formal?

Preparação Enem estudo Misto Brasília
Preparação é essencial para realizar as provas do Enem com tranquilidade/Arquivo/Divulgação
Compartilhe:

A grande maioria não atinge fama e dinheiro e deixar a educação formal por uma profissão de influenciador não costuma trazer o sucesso desejado

Por Flávio Osten – PR

A busca pela fama e pelo sucesso financeiro sempre foi um elemento marcante na sociedade. Em décadas passadas, crianças e adolescentes sonhavam em se tornar, por exemplo, jogadores de futebol reconhecidos mundialmente. Há alguns anos, o sonho dos “pequenos brasileiros” se resumia a brilhar nos estádios, seguindo os passos de ídolos como Pelé ou Ronaldo Fenômeno.

Hoje, segundo pesquisa do INFLR, startup especializada em marketing de influência, 75% dos jovens querem ser influenciadores digitais (youtubers). Em comum, essas aspirações apresentam um aparente desdém pela educação formal.

Exemplos de sucesso que não completaram a graduação – como Ronaldo Fenômeno, Neymar, Felipe Neto e Whindersson Nunes –, reforçam na mentalidade de muitos a crença de que a formação acadêmica pode ser dispensável para alcançar notoriedade ou riqueza.

Então, vale a pena estudar? Exemplos extremos são realmente muito famosos, mas estão longe de ser a regra. Dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mostram que até 80% dos atletas de futebol recebiam até R$ 1.000,00 por mês, os youtubers ganham, em média, entre R$ 2 mil e R$ 5 mil por mês.

A grande maioria não atinge fama e dinheiro e deixar a educação formal por uma profissão como essas não costuma trazer o sucesso desejado.

Especificamente sobre negócios, a realidade é semelhante. Não por acaso, o professor e filósofo Mario Sergio Cortella costuma ilustrar a questão com um exemplo contundente: muitos jovens o procuram para dizer que não “precisam de faculdade”, citando Bill Gates e Mark Zuckerberg como inspirações.

Ocorre que ambos abandonaram Harvard – uma das universidades mais prestigiadas do mundo –, fato que, por si só, já revela que não eram estudantes comuns, pois ingressar nessa instituição é uma realização acadêmica extremamente concorrida.

Além disso, Bill Gates obteve 1590 pontos em 1600 possíveis no SAT, um teste que equivale ao Enem norte-americano.

Ou seja, por trás do abandono da graduação, há um histórico de excelência escolar e muita dedicação, aspectos cruciais para o sucesso.

Vemos, então, a graduação e pós-graduação ainda muito relevantes para indivíduos e para a sociedade. Vamos agora tratar do porquê o estudo formal é fundamental. Em primeiro lugar, a educação formal colabora na construção de competências, estudantes de graduação em negócios desenvolvem capacidade de senso crítico e habilidade para analisar cenários, indicadores e processos.

Afinal, é comum que a tomada de decisões seja tomada em ambiente pouco controlado e com muitas incertezas.

Filmes e séries pós apocalípticos

Além disso, a formação em negócios propicia construção de repertório conceitual e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Por exemplo, lidar com aquele colega que não faz sua parte do trabalho ou não aparece no dia da apresentação ensina lições para a vida toda.

Em segundo lugar, a educação formal auxilia na empregabilidade. Isso acontece por dois motivos: alguns cursos e certificados são requisitos básicos em muitas empresas e a rede de contatos construída durante cursos de graduação e pós-graduação costumam ser acionadas sempre que há necessidade.

Por fim, é importante para o progresso da sociedade. A capacitação fomenta pesquisa e inovação, auxilia a reduzir desigualdades e ajuda a valorizar trabalhos essenciais.

Lembre-se de todos os filmes e séries pós apocalípticos que você já assistiu e note como o conhecimento técnico é valorizado. Engenheiros, médicos, gestores etc. são muito importantes para as engrenagens sociais, mesmo que os holofotes das redes sociais não estejam sobre eles.

Em síntese, a educação formal permanece essencial para quem busca uma carreira sólida em negócios ou qualquer área que exija preparo técnico e visão estratégica.

É muito legal sonhar em ser o próximo Whindersson Nunes, mas a maior parte de nós terá uma vida muito melhor ao se dedicar à educação formal. Em tempo, Ronaldo Fenômeno e Felipe Neto já anunciaram a vontade de cursar o ensino superior.

Parece que mesmo os ricos e famosos estão percebendo a necessidade de estar nas cadeiras das universidades.

(Flávio Osten é doutor em administração e professor da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná)

PARTICIPAÇÃO DO LEITOR

Participe desta discussão

Compartilhe sua opinião sobre este assunto. As participações passam por análise editorial antes de qualquer utilização no site.

Seu e-mail não será publicado.
Entre 20 e 3.000 caracteres.

Assuntos Relacionados

Siga o Misto Brasil

Acompanhe em todas as redes

Notícias, vídeos e destaques em tempo real. Escolha sua rede favorita.

Dica: acompanhe também pelo WhatsApp para receber atualizações rápidas.

Brasília e Entorno do DF

Oportunidades