Um novo ciclo de gestão para o Rio Grande

Palácio Piratini sede do governo RS Misto Brasil
Palácio Piratini é a sede do governo do Rio Grande do Sul/Arquivo/Divulgação
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É necessário implementar uma política de gestão de ativos públicos, destinando ou alienando imóveis ociosos para a sociedade

Por Luciano Zucco – RS

O Rio Grande do Sul avançou em alguns pontos importantes nos últimos anos. Reformas administrativas e previdenciárias contribuíram para reorganizar parte das contas públicas e sinalizaram um caminho de responsabilidade fiscal.

Esses avanços precisam ser reconhecidos. Mas também é necessário olhar os números com realismo. Parte relevante da melhora fiscal recente foi influenciada por circunstâncias extraordinárias.

Privatizações geraram cerca de R$ 8,8 bilhões para os cofres estaduais, além da suspensão ou renegociação de pagamentos da dívida com a União em diferentes momentos. Esses fatores ajudaram a aliviar o caixa, mas não representam uma solução permanente.

Ao mesmo tempo, surgem sinais de alerta. As despesas voltaram a crescer acima da inflação e da própria receita, pressionando o equilíbrio fiscal. A estrutura administrativa segue extensa, com 29 secretarias, dezenas de autarquias e fundações, além de milhares de cargos e funções gratificadas.

Há ainda um patrimônio imobiliário expressivo — cerca de 14 mil imóveis do Estado, muitos sem destinação clara — que poderia estar gerando receita ou sendo melhor utilizado.

É necessário implementar uma política de gestão de ativos públicos, destinando ou alienando imóveis ociosos e transformando patrimônio parado em recursos para a sociedade. Racionalizar estruturas, reduzir sobreposições, digitalizar processos e definir prioridades claras de gasto são passos fundamentais.

Esse cenário mostra que o próximo ciclo de gestão precisa ir além de ajustes pontuais e avançar para uma transformação estrutural do Estado.

É necessário tornar a máquina pública mais eficiente e, ao mesmo tempo, desenvolver economicamente o Estado, atraindo investimentos e criando um ambiente favorável ao empreendedorismo, à indústria, ao comércio, aos serviços e ao turismo.

Outro debate inevitável envolve a relação federativa e a dívida dos estados com a União. Parte do crescimento econômico gerado por novos investimentos poderia ser convertida em abatimento da dívida. É preciso dar esse próximo passo: um Estado mais eficiente, com gestão técnica e um projeto consistente de desenvolvimento para o futuro.

(Luciano Zucco é deputado federal pelo PL-RS e pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul)

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