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Ex-presidente do BRB tinha pasta com documentos

Ibaneis Rocha, Celina Leão e Gustavo Franco DF Misto Brasil

Ibaneis Rocha durante uma solenidade ao lado de Celina e Gustavo Rocha/Arquivo/Agência Brasília

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Paulo Henrique Costa vinha desenvolvendo um programa de IA para localizar, por temas e personagens, todas as mensagens do celular

Por Misto Brasil – DF

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa costumava andar para cima e para baixo em Brasília com uma pasta de couro, recheada de documentos, e um celular com uma imagem religiosa como proteção de tela.

Der acordo com O Globo, preocupado com a possibilidade de ser preso, o executivo vinha se preparando para prestar um novo depoimento à Polícia Federal.

Ele dizia que não tinha o que delatar, porque era apenas uma peça de uma engrenagem maior, mas que estava disposto a colaborar com os investigadores.

E, para ajudar os delegados da PF, Costa vinha desenvolvendo um programa de Inteligência Artificial para localizar, por temas e personagens, todas as mensagens que guardava em seu celular.

As conversas de WhatsApp variavam desde contatos com diretores do Banco Central até trocas com Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-governador Ibaneis Rocha.

Durante as negociações com o Master, o ex-presidente do BRB recebeu, em junho de 2025, uma mensagem de Ibaneis cobrando um desfecho para a negociação entre o banco público e a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

No diálogo, o ex-governador do Distrito Federal disse que a operação estava “gerando mais desgaste do que deveria” e que não iria “suportar esse desgaste”.

O arquivo dessa conversa de WhatsApp está sob análise da Polícia Federal, que apura indícios de fraude em operações realizadas pelas duas instituições financeiras.

Procurado, Ibaneis admitiu que sempre cobrava um desfecho para a negociação entre o Master e o BRB, mas esclareceu que não sofria influência de ninguém, nem de Daniel Vorcaro, dono do Master, nem de grupos políticos.

A defesa do ex-governador afirma que era natural haver “preocupação acerca do desdobramento de todas as ações que têm repercussões no Distrito Federal”. Paulo Henrique Costa não comentou.

No celular de Costa, que a PF já periciou, há também mensagens trocadas com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, que elogia a apresentação do executivo durante as negociações com o Master e durante a compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB.

Os diálogos compilados e impressos por Costa também mostram uma desavença com Vorcaro quando começaram a vir à tona os problemas nas carteiras de crédito do Master adquiridas pelo BRB.

Nas conversas de WhatsApp, entregues à PF, Costa reclama de problemas de auditoria do Master e da demora no envio de documentos.

Os diálogos foram selecionados pelo próprio Costa para mostrar que discordava da forma como Vorcaro conduzia a operação, que, mais tarde, seria rejeitada pelo Banco Central por suspeita de fraude.

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