Ícone do site Misto Brasil

Paulo Henrique teria recebido proposta de R$ 140 milhões

BRB Paulo Henrique Costa DF Misto Brasília

Paulo Henrique Costa foi o presidente do Banco de Brasília/Arquivo/Divulgação

Compartilhe:

O valor teria sido ofertado para que o ex-presidente do BRB facilitasse a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília

Por Misto Brasília – DF

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, teria recebido uma proposta de R$ 140 milhões para facilitar a compra do Banco Master.

Veja a decisão monocrática do ministro André Mendonça

A informação consta da decisão judicial do ministro André Mendonça que embasou a ordem de prisão de Paulo Henrique Costa na manhã desta quinta-feira (16). Atualizado às 08h43

O advogado Daniel Monteiro, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, também foi preso na operação desta quinta. Ele seria um dos responsáveis por montar uma operação para repassar os seis imóveis de luxo a Costa por meio de empresas de fachada.

Vorcaro está preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília. A defesa do banqueiro está preparando uma delação premiada para redução de uma possível pena a ser imposta pela justiça.

Leia – tribunal investiga contrato da sala VIP do BRB

Leia – ex-presidente do BRB é preso pela Polícia Federal

Mesmo após a primeira operação que investiga as operações do Banco Master, o grupo teria ainda agido na sequência para obter vantagens ilícitas.

A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (16) e prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa em Brasília.

Costa é suspeito de não seguir práticas de governança em negócios com o Banco Master. A quarta fase da operação investiga um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.

governadora Celina Leão emitiu duas notas após a prisão e diz que que está atuando com responsabilidade para que todos os fatos sejam esclarecidos. Veja a nota logo abaixo.

O advogado de Paulo Henrique se manifestou há pouco e disse que o ex-presidente do BRB nada fez de errado que pudesse provocar a sua prisão.

Os agentes cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no Distrito Federal e em São Paulo.

Trechos da decisão judicial

“Mesmo após a constatação, em junho de 2025, de que o BRB havia adquirido aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master, a instituição teria persistido na parceria e seguido comprando novos ativos do mesmo parceiro. Os relatórios do Grupo de Trabalho de conciliação de carteiras – instaurando em fevereiro de 2025, com o objetivo específico de apurar as discrepâncias já identificadas em relação aos valores que deveriam advir dos rendimentos dos ativos adquiridos junto ao Banco Master, mas que não estariam sendo efetivamente repassados ao banco público – assim  como pareceres jurídicos e alertas internos, produzidos desde abril de 2025, teriam sido conscientemente desconsiderados”.

“No ponto, a autoridade policial anota que o pagamento total dos valores acordados entre DANIEL VORCARO e PAULO HENRIQUE somente não se concretizou porque DANIEL VORCARO teve ciência da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina a PAULO HENRIQUE por meio da aquisição e repasse de imóveis”.

“Sob a primeira perspectiva, a representação indica que PAULO HENRIQUE, mesmo ciente de inconsistências relevantes nas carteiras ofertadas ao BRB desde o final de 2024, teria chancelado a continuidade e a aceleração das operações. As conversas com DÁRIO OSWALDO GARCIA JUNIOR (então Diretor Executivo de Finanças e Controladoria do BRB) mostram pressa anormal na liquidação, aceitação de sucessivas alterações contratuais, priorização de pagamento no mesmo dia e disposição para flexibilizar limites internos e segmentar compras em tranches, evitando o reinício do rito ordinário de aprovação. Soma-se a isso a desconsideração de pareceres jurídicos contrários, de registros da Diretoria de Riscos e, mais adiante, dos relatórios do Grupo de Trabalho
que apontavam ausência de repasses, problemas de averbação, inexistência de documentos comprobatórios, padronização anômala de contratos e relatos de clientes que sequer reconheciam as contratações. Em tese, portanto, não se cuida de erro isolado, mas de atuação funcional reiterada voltada à preservação do negócio espúrio”.

“As mensagens de WhatsApp acostadas aos autos e trocadas entre o ex-Presidente da estatal do Distrito Federal, o investigado PAULO HENRIQUE, e DANIEL VORCARO revelam, simultaneamente, a forte proximidade de ambos e a comunhão de desígnios para a prática de ilícitos. Ao mesmo tempo em que o investigado ex-Presidente do BRB anuncia medidas em relação a negócios envolvendo o banco que seriam de interesse de DANIEL VORCARO, prossegue demonstrando ânimo de que sua esposa possa visitar o apartamento luxuoso que, do que apurado pela Polícia Federal, seria uma das contraprestações pelos serviços ilícitos realizados. PAULO HENRIQUE envia uma mensagem para DANIEL VORCARO com o seguinte teor”:

Sair da versão mobile