O grande destaque de 2025, porém, não é o volume total, mas para onde o dinheiro foi, sobretudo em fusões e aquisições
Por Misto Brasil – DF
Os investimentos chineses no Brasil somaram US$ 6,1 bilhões em 2025, maior volume desde 2017 e alta de 45% sobre o ano anterior, segundo levantamento do Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).
O desempenho foi muito superior ao dos investimentos estrangeiros como um todo no país, que avançaram 4,8% no mesmo período, e ao crescimento dos aportes da China no mundo, de apenas 1,3%.
O grande destaque de 2025, porém, não é o volume total, mas para onde o dinheiro foi, segundo a reportagem da Times Brasil.
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Os aportes chineses no setor de mineração mais que triplicaram, passando de US$ 557 milhões em 2024 para US$ 1,76 bilhão, o equivalente a 29% de todo o capital chinês que entrou no Brasil no ano.
O resultado colocou a mineração tecnicamente empatada com o setor de eletricidade, historicamente o principal destino dos investimentos do gigante asiático no país, que ficou com 29,5% do total.
O movimento se deu sobretudo por fusões e aquisições.
A CMOC comprou minas de ouro da canadense Equinox Gold em Minas Gerais, Bahia e Maranhão por cerca de US$ 1 bilhão.
A MMG adquiriu os ativos de ferroníquel da Anglo American no Brasil por US$ 500 milhões.
A Baiyin Nonferrous, recém-chegada ao país, pagou US$ 243 milhões pela Mineração Vale Verde, em Alagoas, com foco em cobre. As três operações têm um denominador comum: empresas ocidentais vendendo ativos para compradores chineses.
Para Henrique Costa de Seabra, advogado especialista em Direito Minerário e Ambiental, comprar uma operação já em funcionamento tem vantagens e riscos.
“O investidor compra velocidade, considerando que entra em uma operação que já produz, já tem licenças, contratos, empregados, fornecedores e mercado. Mas, juridicamente, ele também compra um pacote de riscos”, afirma. Do ponto de vista regulatório, o Brasil não cria obstáculos pela origem do capital.
“O Brasil não distingue, em regra, investidor chinês, europeu ou americano”.
Esse cenário pode estar prestes a mudar, ao menos para os chamados minerais críticos. Na quarta-feira (6), a Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, abrindo caminho para que o Estado revise mudanças de controle societário envolvendo estrangeiros em empresas com direitos minerários sobre esses recursos.
“O projeto introduz uma camada nova de análise estatal. Esse movimento aproxima o Brasil de uma tendência internacional, mas com um desenho ainda em construção”, avalia o advogado. O texto ainda depende de aprovação no Senado.
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