Investigadores avaliaram que relatos do banqueiro Daniel Vorcaro não trouxeram fatos novos e mantiveram blindagem a aliados
Por Misto Brasil – DF
A Polícia Federal (PF) rejeitou a segunda tentativa de acordo de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mesmo após o empresário ampliar o leque de acusações e incluir novos nomes nos anexos, os investigadores avaliaram que os elementos são insuficientes.
Na análise da equipe responsável pelo caso, os relatos não trouxeram informações novas que contribuíssem de forma significativa para o avanço das investigações.
A PF concluiu que o material pouco acrescentava ao conjunto de provas que já haviam sido obtidas, inclusive por meio da análise do celular do próprio banqueiro.
Esta é a segunda negativa recebida por Vorcaro. A primeira proposta de colaboração já havia sido rejeitada pelas autoridades no dia 20 de maio deste ano.
Na nova versão dos documentos entregues à PF, a defesa do dono do Banco Master citou diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Vorcaro alegou ter realizado um pagamento de US$ 30 milhões (cerca de R$ 153 milhões) ao parlamentar.
De acordo com o relato do banqueiro, o montante teria sido transferido por meio de uma conta no exterior. O repasse teria ocorrido em troca de apoio a matérias legislativas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional.
Os novos anexos também mencionam supostos pagamentos relacionados ao Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia. O tema envolve a participação do banco no Credcesta, um programa de benefícios consignados voltado para os servidores públicos do estado.
O atual ministro da Casa Civil e ex-governador baiano, Rui Costa, é mencionado nos documentos apresentados. No entanto, as autoridades apontam que não há referências a supostos pagamentos de propina envolvendo o nome do ministro.
Mudança de versão e acusação de seletividade
Após a primeira rejeição em maio, Daniel Vorcaro substituiu sua equipe de advogados e reformulou parte dos anexos na tentativa de fechar o acordo.
Uma das principais mudanças envolveu repasses feitos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Na primeira versão, os pagamentos a Nogueira haviam sido descritos como decorrentes de uma relação pessoal de amizade. Na segunda tentativa, o banqueiro mudou o tom e passou a classificar os mesmos repasses como suposta propina.
A mudança de postura, contudo, não convenceu os agentes federais. Além da falta de novidades que justificassem os benefícios de uma delação, a PF manteve o entendimento de que Vorcaro continua protegendo aliados e apresentando uma colaboração considerada seletiva.
A proposta de colaboração premiada do empresário segue agora sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). Apesar disso, o posicionamento contrário da PF impõe um forte obstáculo para que o acordo avance no Judiciário.
